terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A vida segue...


Ma Ferreira*





Pra quem se importa e...
pra quem não se importa

Pra quem nada espera e...
pra quem muito espera

Pra quem corre, corre, corre e...
pra quem vai devagar

Pra quem tem insônia e...
pra quem muito dorme

Pra quem sabe a sua hora e...
pra quem a perdeu

Pra quem sofre com isso e...
pra quem não sofre

Pra quem sonha e...
pra quem não sabe sonhar

Pra quem deseja e...
pra quem não deseja mais

Pra quem não perde a piada e...
pra quem não liga, quando a perde

Pra quem se cala e...
pra quem fala, fala e ainda grita

Pra quem gosta de tragédia e...
pra quem prefere comédia

Pra quem sabe rir de si mesmo(a) e...
pra quem ainda não sabe

O que dizer?

É a vida!?

Talvez, sim.
Talvez, não.

A vida pode ser mesmo um jogo;

uma jogada com blefes e trapaças e apostas
e perdas e enganos,

muitos enganos...
E daí?

A vida segue, de verdade.

E nós?
Seguimos com ela, apesar de todos os seus pesares.

Demasiadamente humanos, ou não, seguimos.
Sim, seguimos, porque a vida nos leva...


* * *


Desejo a todos nós, um Natal de verdade.
Com a magia da Vida!

Um 2012 maravilhoso!


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Viviane C. Moreira


*Peça de cerâmica de Ma Ferreira.
Blog: ARTE EM CERÂMICA.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PRESENTE DA PRIMAVERA


Ma Ferreira*



ah, beija-flor, beija-flor,
tu vens galante ao meu jardim
com teu bico comprido e corpo miúdo
bailar com galhardia

entre as flores brancas, rosas, amarelas, roxas
violetas, laranjas, escarlates – que orgia interessante!
e todas as manhãs eu corro
pra ver teu balé encantado de voos precisos

ah, beija-flor, beija-flor,
tu chegas solícito como caixeiro viajante de volta pra casa
mas nunca trazes meu amor
pois fico a desejar que partas bem depressa pro Sri Lanka

ora, ora, Seu beija-flor,
sou mais o outro hóspede,
o velho canário que só canta
e nada promete


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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS
Poema da série PRIMAVERA NO AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

Postado no videbloguinho

*Imagem cedida por Ma Ferreira, autora da peça.
Blog: ARTE EM CERÂMICA.

Mais: MENSAGEM PARA CARLOS

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Leminski de presente

Meus queridos amigos da QG7 me deram de presente de aniversário um livreto, feito por eles, com haikais do Leminski. Simplesmente lindo.

















+ Leminski.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fórum das Letras 2011

De 11 a 15 de novembro será realizado o Fórum das Letras de Ouro Preto. "Memória do esquecimento" é o tema central desta 7ª edição que abordará a memória artística e literária de Ouro Preto. "As passagens de Elizabeth Bishop e do Living Theatre pela região terão destaque especial, bem como alguns dos maiores projetos literários fundados em Minas Gerais. Uma das presenças mais importantes em 2011 será a da atriz e escritora Judith Malina, que, há exatos 40 anos, foi expulsa do Brasil sob acusação de, juntamente com os demais integrantes do Living Theatre, difamar a imagem nacional em outros países, em um dos episódios mais controversos que a ditadura produziu no campo cultural.

A promoção da literatura brasileira e o estreitamento das relações entre países lusófonos seguem como uma das principais bandeiras do evento. Em 2011, este objetivo será reforçado pela participação da romancista Lídia Jorge e do poeta Álamo Oliveira, de Portugal (com o apoio do GT Artes e Humanidades, em conjunto com o Instituto Camões). A presença de agentes literários como Nicole Witt, da Alemanha; e Jonah Straus, dos Estados Unidos; do pesquisador e tradutor alemão Berthold Zilly e do presidente da Biblioteca Nacional do Uruguai, Carlos Liscano, será fundamental para discutir também as possibilidades de integração de esforços entre a literatura latino-americana e brasileira.

Como tradicionalmente acontece, a língua francesa terá lugar especial, com a presença do francês Henri Loevenbruck, considerado um dos mestres do thriller na França e músico conhecido em toda a Europa, e do togolês Kagni Alem, com sua respeitada obra a respeito das manifestações originadas da relação Brasil/África durante o período da escravidão. Para Guiomar de Grammont, idealizadora do evento, 'esta aproximação é fundamental para Minas Gerais e Ouro Preto, pois a cultura francesa é orgânica na formação da cultura brasileira'.

Entre os brasileiros confirmados para o encontro, ganham ênfase Adriana Lunardi, Ana Maria Gonçalves, Arnaldo Bloch, Marcelo Tas, Eduardo Jardim, Marcia Tiburi, Miguel Sanches Neto, Ronaldo Correia de Brito, Rubem Alves e Max Mallman. Destaque também para Adriano Macedo, Branca Maria de Paula, Jeter Neves, Malluh Praxedes e Sérgio Fantini, integrantes do Coletivo 21, grupo de escritores mineiros criado em 2011 com o objetivo de estimular a troca de ideias e buscar novas formas de aproximação entre os autores, leitores e possibilidades do mercado literário.

Em 2011, o Fórum das Letras será resultado de um processo colaborativo entre professores dos cursos de Filosofia, Letras, Artes Cênicas, Jornalismo e Música da UFOP, com curadoria geral da professora Guiomar de Grammont. Para a idealizadora do evento, 'o Fórum se consolida como momento de amostra do que de melhor tem sido feito no mundo literário e assume, cada vez mais, sua missão de defesa e promoção da literatura brasileira em nosso país e no exterior. A história e a memória de Ouro Preto e Minas Gerais são centrais nesta edição, pois a importância do Fórum das Letras encontra-se, sobretudo, no fato de se situar na antiga Vila Rica, cidade na qual tiveram origem alguns dos mais importantes movimentos literários do Brasil'.

Homenagem aos 25 anos do Sempre um Papo

Os 25 anos do Projeto Sempre Um Papo serão homenageados pelo Fórum das Letras de Ouro Preto. Criado em Belo Horizonte pelo jornalista Afonso Borges, o Sempre Um Papo abrange, atuamente, 23 cidades e tem como objetivo incentivar o hábito da leitura por meio de encontros entres grandes nomes da literatura nacional e internacional.

Durante o Fórum não será diferente: no primeiro dia do evento, 11 de novembro, Borges receberá o escritor Rubem Alves para uma conversa junto ao público, com o tema Palavras para desatar nós, no Cine Vila Rica, às 16h." (Fonte: texto de divulgação do Fórum das Letras de 2011).

Mais informações: aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma conversa sobre o desejo

Dois sertanejos caminhando, cada um com sua matula rasa, que mal dá para um dia inteiro no roçado, o filho pergunta ao pai:

- Que qui é desejo?

O pai responde:

- Êta palaivra bunita, fio, qui ardi dentru da genti, qui nem fagúia das fuguêra de São João. Às veiz, um quenturão bão, traz veiz né bão não. Mais ardi, ardi, ardi…

- Iguar pimenta di revirá os zói?

- Ô fio, a gente é qui tem qui sabê cumé qui vai ardê…

- Êta, mar cumé qui nóis fica sabeno?

- Cum o vivê.

- Hmmm.

Gente do sertão. Da lida com a terra. Gente que conhece bem as sovinices da vida. Gente reverenciada por Guimarães Rosa, e que cedo aprende que “viver é perigoso”. Gente com olhar pra dentro, por vezes esquecido pelas gentes da cidade. Este diálogo poderia ser a primeira conversa entre pais e filhos. Entre namorados. Entre irmãos. Entre sócios. Um pacto a se renovar entre marido e mulher.

Seguindo a linguagem do pai sertanejo, poderíamos chamar o desejo de calor da vida. “Fogo” que nos movimenta em busca de um saber, de um fazer, do amor… Fazemos escolhas, mesmo quando não queremos, e mesmo sem sabermos por quê. Prosseguimos pelo caminho certo, bem-sucedido e, mais tarde, descobrimos que não estamos felizes, apesar de estarmos “bem”. Até quando pensamos que viver não custa tanto, a vida nos dá uma rasteira e, na marra, temos que nos reinventar. E qualquer postura que adotamos na dinâmica da vida, em seus altos e baixos, não nos livramos da teimosia do desejo, nem da sua sombra, quando ele, o desejo, nos falta – e sabe-se lá como a falta de desejo cobra de nós sua fatura…

Poderíamos aceitar mais o desejo como algo próprio da condição humana — estruturante — e talvez assim pudéssemos suavizar a angústia do existir. Poderíamos caminhar com mais leveza… Quem sabe, poderíamos até nos interessar mais pelo o que nos torna, desde o nascimento, “iguais”? Todavia, aceitaríamos com mais serenidade que o desejo de um nem sempre corresponde ao desejo do outro?

São tantos autoenganos pelo caminho… Tantos conflitos que surgem a partir do que nos escapa, ou do que foge do nosso controle. Sem falar dos conflitos que vêm da diferença…

Se nos rendêssemos à nossa condição de seres desejantes e “simplesmente” nos constituíssemos como tal, ainda assim precisaríamos inventar tanta moda pra suportar a diferença? Tantos rótulos, categorias e padrões? Quem sabe, poderíamos exorcizar nossos fantasmas em relação ao desejo? Nele ordenados e estruturados pra viver em liberdade, poderíamos nos tornar mulheres e homens capazes de aceitar o desejo – o nosso e o do outro – sem tanta doideira travestida de normalidade. De bem com a vida, pra valer, festejaríamos o desejo com alegria. E também, a diversidade. Talvez assim, homens e mulheres, mais resolvidos com seus próprios seres desejantes, pudessem dar alguma consistência à liberdade. E à alteridade.

Mas parece que nos distanciamos da liberdade. E com a violência cada vez mais grave e banal, parece que formamos uma sociedade pouco afeita com a diferença. Uma sociedade ameaçada pelo desejo? Hostil com a diferença e, cada dia, mais violenta.

Onde nos perdemos na liberdade? Sobretudo na liberdade como início de promessas? Liberdade como “autocomeço” – “porque existe um começo que o homem pode começar; e, começando por nascer, ele se destina a nascimentos renováveis que são também atos de liberdade” (Kant citado por Julia Kristeva em O gênio feminino: A vida, a loucura, as palavras – Hannah Arendt). Liberdade para (re)começar, para (re)nascer. Liberdade preservada pelo nascimento – este como possibilidade de começo para a promessa de “singularidade de cada existência”, como argumenta Hannah Arendt em A condição humana. Nascimento. Começo. Liberdade. Renascimento. Recomeço. Liberdade.

Como diz a personagem Godofredo (Rodolfo Vaz) do conto “Os três nomes de Godofredo”, de Murilo Rubião (adaptado por Silvia Gomez para o teatro – na peça O amor e outros estranhos rumores): “Todo mundo tem direito de mudar de lugar”. Que lugar? O lugar da falta de desejo. Mas é preciso abandonar o conforto do tédio, do ressentimento, da rotina massacrante, da vida em que falta sentido.

Desejo. Igualdade. Liberdade. Em algum ponto dessa história, nos desviamos. E nos tornamos fraternos – no medo?


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Viviane Campos Moreira.
Crônica publicada  no Amálgama.
Também publicada no Mucury Cultural.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A sexualidade brasileira, por Mary del Priore

"O Sempre Um Papo e a Casa Fiat de Cultura recebem a historiadora e escritora Mary Del Priore no seminário Sexualidade e Erotismo na História do Brasil, nos dias 25 e 26 de outubro, terça e quarta-feira, de 19h30 às 22h. A entrada é franca, e as reservas podem ser feitas pelo email inscricao@sempreumpapo.com.br. Na oportunidade, o livro Histórias Íntimas será lançado e, aos participantes, será vendido a preço promocional.

Conteúdo:

Neste seminário, a historiadora vai mostrar como a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo, influenciadas por questões políticas, econômicas e culturais, e passaram de um assunto a ser evitado a todo custo para um dos mais comentados nos dias de hoje. Mary del Priore fala de nudez e pudor, hábitos de higiene, afrodisíacos, crendices, homossexualidade, prostituição, o surgimento da lingerie, a popularização do biquíni, remédios caseiros para aborto, bailes de Carnaval e a revolução sexual. A partir de uma vasta pesquisa histórica sobre estes e outros temas, Mary del Priore traça a trajetória do sexo no Brasil.

Do bordel ao motel, da fotografia à tela do computador, da "pederose" à pedofilia, da perseguição ao antifísico à homofobia, do corpo coberto ao nu: como passamos de um mundo em que quase tudo era proibido, mesmo entre quatro paredes, e chegamos a este em que não se proíbe quase nada, até em público. Quando o Brasil era a Terra de Santa Cruz, as mulheres tinham que se enfear e os homens precisavam dormir de lado, nunca de costas, porque "a concentração de calor na região lombar" excitava os órgãos sexuais, afirma a historiadora." (Fonte: site do Sempre um Papo)

Mais informações: aqui.

Local: Casa Fiat de Cultura – Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1250 - Belvedere/BH Informações: (31) 3289-8900

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

MENSAGEM PARA CARLOS


Ma Ferreira*



mão que desliza pelo meu corpo
e serpenteia vagarosa entre os cantos dos meus sentidos

mão que escorrega em meus abrigos
e repousa mansa no ventre que me encobre

mão que desterra minhas certezas
liberta-me dos caprichos daquela que me tolhe

mão que afaga meus temores
e penetra nos poros abertos dos meus mistérios

mão que desvela meus segredos
e resvala no corrimão frio dos meus vazios

mão que borda meus encantos
arremata meus desenganos

mão que tece nosso encontro
costura o meio-termo do meu desejo

mão que encerra o tempo:
o início e o fim das minhas mutações;

a mão que me prende alheia
sem dizer de mim

a mão que me abandona frouxa
sem saber de mim

precipita minha partida:

meus ombros não suportam
o silêncio de um amor caduco



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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.
Postado em videbloguinho.

*Imagem cedida por Ma Ferreira, autora da peça.
Blog: ARTE EM CERÂMICA.

Mais: A VINGANÇA DE EROS.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

De mãos dadas com a primavera


Minha caricatura - agência QG7.


Poesia com a primavera no AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.
Hoje, foi postado um poema do Fernando da Mota Lima, que fala de uma certa primavera...
Outros poemas inéditos serão postados - toda sexta-feira no videbloguinho.
Vem com a gente, vem!

Acesse aqui.

domingo, 18 de setembro de 2011

Primavera


Ma Ferreira - peça de cerâmica.




O que nela encontraremos?

Quais surpresas ela nos reserva?

Desejos?

Lembranças?

Sonhos ainda não sonhados?

Clamores da natureza?

Uma saudade?

O calor da vida?

Beleza. Estranhamento. Amor.




*



Nós do AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS teremos como convidado, nesta primavera, Fernando da Mota Lima - do blog Literatura e Crítica Cultural – e colaborador do blog Amálgama. E continuaremos a contar com a colaboração da ceramista Ma Ferreira – do blog Arte em Cerâmica - que cede imagens de suas peças para ilustrar nossos poemas.

Vamos abrir as gavetas, soltar a língua e deixar a primavera entrar!

Toda sexta-feira, um poema inédito será postado no AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS, no videbloguinho.


Saudações perfumadas!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O amor, além do divã


Malvine Zalcberg.
Foto: Isaac Merkman.


Entrevistei a psicanalista Malvine Zalcberg no blog Amálgama.

Um papo sobre o amor entre homem e mulher, entre mãe e filha, e sobre o amor na constituição da feminilidade. Como anda essa história hoje, com as transformações na sexualidade feminina?

Malvine participou, recentemente, da 15ª Bienal do Livro, no Rio, no Café Literário, ao lado da escritora norte-americana Kim Edwards, autora de O guardião de memórias (The memory Keeper's daugther). Sobre o tema segredos de família, Malvine postou no seu blog Olhar de Psi, um texto interessante que aborda os reflexos desses segredos na vida de todos - tanto na vida daquele que esconde um segredo, quanto na do outro que é privado da verdade, contra a sua vontade.

Acesse a entrevista aqui.

*

Minha página no Amálgama: aqui

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Devaneios, dores e outras paixões

Nunca pensei que um dia eu pudesse deitar ao lado do Beto Guedes... Isso simplesmente aconteceu! Mal sabe o Beto que eu fui apaixonada por ele, loucamente apaixonada - eu e minhas amigas todas. Eu era vidrada em um LP dele - isso mesmo, long play! – que tinha, na capa, uma foto dele despenteado, com cabelo e cara de quem acabou de acordar, saiu da cama e foi direto pra janela ver o dia, enrolado em uma manta azul. Um homem, um menino selvagem, com o nome de Beto - como não se apaixonar, sendo uma adolescente?

Mas eu também era apaixonada pelo Lô, pelo Flávio, pelo Milton, por Caetano, Gil, Chico, pelo Ivan, sem falar do Zé, do Alceu, do Geraldo e do Vinicius. Ah, pelo Vinicius, sou apaixonada desde  garotinha, por causa de uma prima, mais velha do que eu, que tocava, no violão, as canções dele. E também por causa de minha mãe que preferia ser alegre a ser triste.

Às vezes, herdamos paixões dos irmãos e dos primos mais velhos, dos pais, professores, amigos, namorados... Com o Beto, não. Não foi assim. Essa paixão foi toda minha. Eu ainda morava no interior e sonhava com o show dele... Minhas primas, que moravam em BH, me contavam que tinham ido ao show do Beto e eu sonhava, sonhava com meus 15 anos... Desejava que eles chegassem depressa. "Quando eu fizer 15, vou morar em BH, aí sim! vou poder ir aos shows do Beto, do Lô, do 14 Bis, do Sagrado... e, quando vier para as férias de julho, vou contar para as minhas amigas daqui como foi estar com eles no mesmo espaço, tão perto, quase podendo tocá-los." E assim foi...

Deitada na cama, ao lado da dele, fiquei imaginando se ele gostaria, ou não, de saber que a mulher ali ao lado dele foi loucamente apaixonada por ele... (Tudo bem: eu e mais umas mil meninas!) Como eu diria isso a ele?  - Oi, Beto, tudo bem? Se eu te disser uma coisa, você não vai rir de mim? (Ele, sendo o Beto, responderia: "- Não, não vou rir de você. Por que eu riria? É alguma coisa engraçada?" - e daria aquele sorriso...) Eu, sem graça, ga-gue-ja-ri-a: - É, então, Beto, então, eu fui loucamente apaixonada por você!

- Tudo bem aí, Seu Beto? Pergunta a fisioterapeuta simpática.

Ele sorri, dizendo que sim. E eu ali, do lado, pensando... "Seu Beto? Ele é o Beto – o Beto! - aquele da capa do LP, com o cabelo sem pentear e uma manta azul sobre o corpo, na janela... O Beto!" E esta cena acontecendo em setembro, com a primavera chegando, ensolarada.

Olho para o lado esquerdo da minha cama e vejo duas senhoras se alongando, cada uma em sua cama, ambas animadas. E uma disse à outra:

- Você estava aqui, ontem, quando a Suzana falou que velhice é coisa do capeta? Quase caí da cama de tanto rir! Mas se eu caísse, ia ser um estrago. Imagina...

A amiga riu, e eu também.

- Dona Verônica, flexiona mais, pode flexionar mais, Dona Verônica! – falou com firmeza, a fisioterapeuta.

- E você, qual é a sua dor? Dona Verônica me perguntou. E antes que eu respondesse, ela me explicou:

- É assim, viu? As dores vão surgindo, de uma hora pra outra, mas, no seu caso, né, deve ser uma dorzinha boba, dessas que passam logo.

- Dona Verônicaaa, a perna. A perna, Dona Verônica, vai! – repreendeu a fisioterapeuta.

É, só sei que eu arrumei uma dorzinha até boa. Por conta dela, tenho me divertido com minhas vizinhas de cama e voltado ao tempo mágico das paixões feitas de sonho. Tudo isso não sendo desse jeito assim, mas sendo, em uma hora de sessão de fisioterapia - que voa.

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Viviane Campos Moreira
Postado em Balaio da Vivi

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Esquadros" de presente

Ganhei de presente da Marcela Veiga e da Clarissa a canção Esquadros (Adriana Calcanhoto). No último pocket show online, dia 29 de agosto, elas dedicaram a canção a mim - que delícia!

Marcela Veiga e Clarissa são artistas talentosas e criaram o pocket show online - um projeto interessante em que elas tocam e cantam canções da MPB - voz (Marcela e Clarissa) e violão (Marcela). Assim, de cara limpa, sem truques - ao vivo e em cores.

Obrigada, queridas, pelo carinho e sucesso pra vocês! Que venham mais pockets!

Acesse: Pocket show Marcela Veiga e Clarissa

sábado, 27 de agosto de 2011

E que mundo é esse?

No artigo Que falta de educação*, João Paulo Cunha faz uma análise interessante da recente greve dos professores em Minas, com reflexões que implicam nossa sociedade.

“A greve é um momento de repensar a carreira dos professores e a dignidade de seu ofício. Mas é, principalmente, a hora de decidir que mundo estamos construindo.”

Ele faz uma crítica sobre os rumos da educação, desde a primeira Lei de Diretrizes de Bases da Educação de 1961 que “foi criada no contexto de uma sociedade siderada pelas promessas do desenvolvimentismo e, mais que mecanismo de ascensão, a educação se tornava estratégia para o progresso, traduzida na preparação para o mercado. Depois de várias iniciativas inspiradas pela consideração do processo educativo como agente de dinamização da sociedade, parece que retornamos ao mesmo imperativo da educação pensada como adestramento, o que pode explicar o atual desprestígio do saber em nome da competência técnica. Mais uma vez parece que o Brasil, sem alcançar a modernidade (ensino universal, laico, gratuito e de qualidade), buscou um atalho sedutor da pós-modernidade (ensino pago, adestrador, elitista e ideológico).”

Cita o sociólogo Zygmunt Bauman, “criador do conceito de modernidade líquida”, que “definiu nosso tempo como ‘inóspito à educação’. O novo modelo de educação, para ele, coloca em xeque a ideia de invariantes, uma outra maneira de definir os valores sólidos de uma sociedade. No mundo líquido, não há lugar para fidelidade ou compromisso a longo prazo. A educação, nesse horizonte, vai ao sabor dos ventos (é só ver como os jovens são mais preocupados com o emprego do que com a carreira; com o resultado do que com a construção; com o salário do que com o trabalho), nas asas do mercado e da competição. A educação, hoje, de acordo com Bauman, se preocupa mais em descobrir saídas individuais para problemas coletivos que achar o rumo de respostas coletivas para problemas privados. Sai o educador e entra em cena o orientador de carreira, o conhecimento se torna menos importante que a personalidade.”

*Fonte: Caderno Pensar do Estado de Minas de 27/8/2011, p. 2.


* * *

Sobre a “passagem” da modernidade à pós-modernidade, Daniel Sarmento, no artigo Os direitos fundamentais nos paradigmas liberal, social e pós-social (Pós-modernidade constitucional?) no livro Crise e desafios da Constituição (p.412-413) – coordenador: José Adércio Leite Sampaio – aponta os perigos dessa transição no direito. O que isso pode representar constitucionalmente? O que isso pode significar para as sociedades nas quais os direitos fundamentais não foram efetivamente consagrados?

“Primeiramente, cumpre reconhecer que de fato existe uma crise na Modernidade gerada, sobretudo, pela tendência alienante da razão instrumental. Mas parece-nos que, ao invés de abandonar o ideário da Modernidade, deve-se aprofundá-lo, sobretudo nas sociedades periféricas – pré-modernas sob certos aspectos -, que enfrentam carências já relativamente equacionadas no Primeiro Mundo. É preciso, neste sentido, adotar um conceito mais alargado de razão, que se proponha a discutir criticamente também os fins da ação humana, o que a razão instrumental positivista se negava a fazer. E, a partir de uma perspectiva racional, cumpre insistir, mais e mais, na luta pela implementação dos grandes valores do Iluminismo, de liberdade, igualdade, democracia e solidariedade.”

“Não se deve abandonar o projeto da Modernidade, de emancipação através da razão, mas, corrigir os desvios de rumo deste projeto, tornando-o ainda mais abrangente e inclusivo.”

“O esvaziamento do Direito e da Constituição, propugnados por certas correntes do pós-modernismo, são propostas perigosíssimas, sobretudo nos estados periféricos e subdesenvolvidos como o Brasil, onde largos setores da população ainda vivem no arcaísmo pré-moderno. Jamais fomos modernos e, de repente, seríamos pós-modernos (interessa a quem?).”

sábado, 20 de agosto de 2011

A VINGANÇA DE EROS


Ma Ferreira*



o amor me deixou
sem eira nem beira
nua na terra perigosa da poesia


a girar ora menina ora mulher
não sendo só uma nem só outra
embora só com o que é meu


logo eu que não sou de barro
e venho das águas escuras,
cheguei ao ponto:


paciência


(ainda que tarde)

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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.
Postado no videbloguinho.

*Imagem cedida por Ma Ferreira, autora da peça.
Blog: ARTE EM CERÂMICA.

Mais: TERNA PROMESSA.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Outro selinho



Ganhei este outro selinho da Ma Ferreira do blog ARTE EM CERÂMICA. Nele, Ma Ferreira posta imagens de peças de cerâmica de sua autoria e também comenta sobre as técnicas empregadas pra fazer suas belas peças, que tanto nos encantam.

No AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS, Ma Ferreira colabora com imagens de suas peças, enfeitando nossos poemas.

Ma, obrigada!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mutações 2011


Imagem extraída do site da Casa Fiat*


Vem aí o Ciclo de Conferências Mutações, organizado pelo filósofo Adauto Novaes, que será realizado na Casa Fiat de Cultura em BH no período de 16 de agosto a 6 de outubro, com o tema Elogio à Preguiça. O ciclo contará com a participação de 22 pensadores que irão refletir sobre a "condenação da preguiça, pelo mundo do trabalho mecânico e da importância do ócio no desenvolvimento do trabalho intelectual e artístico".

As conferências serão realizadas às terças, quartas e quintas-feiras, às 19h30, no auditório da Casa Fiat de Cultura na Rua Jornalista Djalma Andrade, nº 1250 – Belvedere.

Inscrições: a partir de 1º de agosto.
Informações: (31) 3224-5350.


Site da Casa Fiat: aqui.

terça-feira, 26 de julho de 2011

TERNA PROMESSA


Ma Ferreira*



eu vi o amor passar
e não estava sonhando

nem atribulada com coisa alguma
estava mesmo à toa: vivamente desperta

foi numa manhã clara e
azul de céu sem nuvem

ele chegou disfarçadamente e
me sorriu

mas sem me dizer por que
ele se foi rindo pra mim

eu fui atrás,
mas na vizinhança ninguém sabia dele

então eu corri, corri, corri mais depressa e
gritei o nome dele bem alto, bem alto, bem alto,

o mais alto que eu pude até
cair em mim: estranha

soltei uma gargalhada que se perdeu pequenina no ar e
destrambelhei a xingar e

xinguei e xinguei e xinguei, e
quanto mais eu xingava,

ele sussurrava meu nome longe, longe, longe
calei-me assustada e

ele também
fiquei muda; ele não deu um pio e

com medo do silêncio dele
assobiei uma cantiga de infância e

ele, distante,
respondeu com um assobio de macho novo

então bati meu pé três vezes no assoalho e ele também e
ficamos assim sapateando de cá e de lá de lá e de cá lá cá lá até cansar

daí eu disparei a correr a gritar a rir a xingar a assobiar a dançar
porque ele me quer assim: amante obediente


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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.
Postado em videbloguinho.
Publicado na revista Mucury n. 9

*Imagem cedida por Ma Ferreira, autora da peça.
Blog ARTE EM CERÂMICA.

Mais: LINHA CRUZADA.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tarsila e os modernistas

HOJE é o último dia da exposição Tarsila e o Brasil dos Modernistas que reúne várias obras, com técnicas diversas – óleo, guache, aquarela, nanquim, pastel, carvão - em desenhos, telas, esculturas, entre outros, representando “paisagens, tradições e tipos brasileiros”.

A exposição conta com obras de Tarsila do Amaral e de Portinari, Ismael Nery, Oswaldo Goeldi, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Guignard, Cícero Dias, Flávio de Carvalho, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret. E tem como curadora, Regina Teixeira de Barros.

Interessante o contraponto entre a representação do Brasil nas obras de Tarsila do Amaral e nas de Flávio de Carvalho, Oswaldo Goeldi, Cícero Dias e Di Cavalcanti. Nas obras de Oswaldo Goeldi, o Rio é representado de uma forma sombria – com personagens solitários e assombrados pela morte. Em contraste com o “verde cantante” da Tarsila, outras cores representam um outro Brasil.


Casa Fiat de Cultura - Belvedere (BH/MG)
Informações: (31) 3289 - 8900
Horário: das 10h às 21h
Site: www.casafiatdecultura.com.br

Catálogo da exposição no site da Casa Fiat: aqui



* * *



Na Flip deste ano, o modernista Oswald de Andrade foi o homenageado e, em 2012, a Semana de Arte Moderna completará 90 anos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Na onda do Rio

Minas adere às blitzes do Rio.

Em BH - "a capital dos botecos" - a eficácia da Lei Seca tem sido bastante criticada. "O governo do estado marcou para HOJE*, o início de uma campanha permanente que promete seguir o rigoroso modelo adotado no Rio de Janeiro. O motorista que apresentar sinais de embriaguez terá a carteira de habilitação cassada por um ano e poderá responder a processo criminal.

As blitzes da campanha, batizada de Sou pela vida, dirijo sem bebida, vão ocorrer sempre de quinta a sábado em pontos "supresa" que tenham grande concentração de bares, boates e restaurantes, como os bairros de Lourdes e Sion, na Região Centro-Sul da capital, e a Avenida Raja Gabaglia. As entradas da cidade, corredores viários e pontos com grande ocorrência de acidentes e mortes no trânsito também vão receber as equipes da Lei Seca, que vão se movimentar e trocar de ruas durante a noite e na madrugada. (...)

Um dos desafios da nova campanha é resgatar a credibilidade da Lei Seca que em 3 anos apresentou resultados pouco expressivos em Minas. O estado ocupava até o ano passado uma das últimas posições no ranking do Ministério da Saúde de redução de mortes no trânsito. Segundo o relatório divulgado em 2010, houve redução de 4,2% das vítimas de trânsito no estado mineiro - de 3.781, antes da lei, para 3.621 depois que ela entrou en vigor. Minas atingiu índice 7,7 vezes menor que o do primeiro colocado, o Rio de Janeiro, que registrou queda de 32%."


*Fonte: Estado de Minas - Gerais, p.21 de 8/7/2011.


* * *


Mais: Temporão, a Lei Seca e o pai.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

LINHA CRUZADA


Ma Ferreira*




ele ligou sábado à tarde
e se encantou
pela voz

tão doce
tão sensual
tão pronta

inspirado no Lulu Santos
esperou o sábado pra ligar
- mas lamentou ter demorado tanto -

não lhe disse seu nome
era só alguém do teatro
e não queria assustá-la

ela quis saber quem era ele
uma pausa:
- ah, quisera eu te dizer

ela insistiu:
- por que não diz?
silêncio do outro lado da linha

ela, que não era dada a esperas,
perguntou:
- afinal, quem é você?

tuc tuc
tuc tuc
tuc tuc

assim
ela desligou o telefone:
- mais um mudinho

pra ele
ela
assim:

tão doce
tão sensual
e

tão pronta


_______________________________
Viviane C. Moreira
Poema originalmente postado no ARTE EM CERÂMICA.

*Imagem cedida por Ma Ferreira, autora da peça.

Mais: TARDE OBSCENA.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Arte e afeto


Virgílio Dias*


Até dia 10 de julho, na galeria Dom Quixote, no Shopping Leblon, no Rio, exposição de Virgílio Dias que retrata cenas do cotidiano - pessoas na praia, nos jardins, nos cafés, em delicados momentos marcados pelo afeto.


*Catálogo da mostra Revelações.

Dom Quixote Galeria de Arte.
Shopping Leblon - Rio de Janeiro.
Site: www.galeriadomquixote.com.br

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Flip 2011

Começou HOJE a 9ª edição da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty - que tem como homenageado o modernista Oswald de Andrade. Segundo o curador da Flip 2011, o jornalista Manuel da Costa Pinto, a homenagem a Oswald "veio a calhar", pois, em 2012, a Semana de Arte Moderna (1922) completará 90 anos, e sua obra poderá ficar mais conhecida, com as homenagens da Flip - teatro, shows e debates.

Na programação oficial, Antonio Candido e José Miguel Wisnik participam da conferência de abertura da Flip, discorrendo sobre a obra de Oswald de Andrade. Na sexta-feira, Ignácio de Loyola Brandão e Contardo Calligaris participam do debate "Ficções da crônica" na Mesa 8, com mediação de Cadão Volpato. E, no sábado, João Ubaldo Ribeiro, pela primeira vez na Flip, participa do debate "Alegorias da ilha Brasil" na Mesa 13, com mediação de Rodrigo Lacerda. Além da Flip, também há a Flipinha, para o público infantil, e a FlipZona, para adolescentes.

Para o jornalista Sérgio Rodrigues (blog Todoprosa) "há indícios de amadurecimento em pelo menos uma das atrações que ocorrerão no entorno da Tenda dos Autores: as duas conferências do projeto Brazilian Publishers, na noite de quinta-feira, em que editores e agentes literários nativos e estrangeiros discutirão diante da plateia da Casa da Cultura modos de divulgar a quase secreta literatura brasileira no exterior".

Na programação paralela, eventos interessantes: palestras, bate-papos... O Clube dos Autores está cobrindo a Flip 2011 e participando, paralelamente, com uma programação muito interessante, sobretudo para autores independentes.



* * *


Mais: abertura da Flip 2011 por Sérgio Rodrigues.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Blog da Malvine Zalcberg

Agora podemos ler, no Blog da Malvine, seus textos - em português e francês. A psicanalista carioca Malvine Zalcberg, autora de A relação mãe e filha, Amor paixão feminina e Qu'est-ce qu'une fille attend de sa mère? (Que é que uma filha espera de sua mãe?) participa de palestras, conferências, cursos, sempre falando sobre o amor.

No blog, Malvine comenta filmes, textos literários, obras de arte e fatos da sociedade em linguagem acessível ao público em geral - também aos leigos em psicanálise. Em um dos posts, Malvine comenta o intrigante filme As Horas.

Blog da Malvine: aqui.


* * *


Mais sobre Malvine Zalcberg aqui no Balaio: A trama do amor entre o homem e a mulher; A mágica do amor na conferência de Malvine; O que as mulheres não querem?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Se tudo acaba, o que fica?


Sandra Bagetti Menezes*
Foto: Miguel Aun.


Certa vez, em um programa de tevê, disse um médium, com entusiasmo: “Morrer não é vantagem!” Fiquei pensando na seriedade da fala bem-humorada desse homem… Ocorreu-me que muitas vezes a morte é aceita como alívio, bênção e até como o acontecimento de toda uma vida. Raro quem dê conta da morte simplesmente; da morte enquanto morte; mor-te.

Quantas são as histórias em que alguém conhecido e estimado é acometido por uma doença grave e falece, depois de muito sofrer? Então, aceitamos sua morte – por solidariedade, aliviados. E quando se trata da partida inesperada de alguém que muito amamos, chegamos ao absurdo de perdoar a morte, como se ela fosse uma bênção… Repetimos pra gente mesma que talvez a pessoa amada tenha sido poupada de um longo sofrimento, ao partir quando ainda havia esperança de cura, mesmo que remota. Fazemos esse jogo de cena com a morte pra suavizar a perda. Pra suportar nossa impotência diante dela, da morte.

Curioso, no entanto, quando encaramos a morte como um grande acontecimento. É o caso daquele sujeito que vive uma vida pacata, não é um cidadão notável, e a morte o leva ao zênite absoluto ou à celebridade. Esse sujeito – que está em extinção na era das redes sociais – pode ser um vizinho com quem topamos, diariamente, no elevador, no hall, na garagem do prédio, sem percebê-lo, porque não há nada demais nele. Nada extraordinário na vida dele; aliás, ele é um cara totalmente na dele. Tudo nele é tão normal, tão comum e habitual demais até que… ele morre em um desastre espetacular, virando herói ou simplesmente ficando famoso. A morte torna-se o grande acontecimento da vida dele. Então, ouvimos o espanto daqueles que relatam o episódio: “É, pra morrer, basta estar vivo!”

Inspiramos. Expiramos. Soltamos o ar, lívidos, com a presença da morte. Por alguns dias, e brevemente, pensamos nela, quando sentimos sua proximidade por obra do acaso – na vida dos outros. E mesmo sabendo que a morte é uma presença indesejada, mas há muito confirmada na festa da vida, insistimos em tapeá-la, como se ela não fosse chegar nunca, ou tão cedo, ou somente no momento certo. Assim, vamos levando nossa vidinha, acreditando, por vezes, que não vamos morrer. Os outros, tudo bem.

E ela chega, às vezes sem dar qualquer sinal. Sorrateiramente. Chega de uma vez, sem dar tempo pra um acordo. Sem dar tempo ao próprio tempo. Intratável. Avarenta. E sacana. Só mesmo Woody Allen pra enrolar a morte propondo-lhe uma biribinha, na qual ela foi vencida e posta pra correr – no conto “A morte bate à porta”, em Cuca Fundida (tradução de Ruy Castro).

A morte chega com muitas perguntas sem respostas. O que de nós permanece? A última palavra? O último olhar? O último gesto? O último suspiro? Filhos dão um conforto, em termos de continuidade. Amigos saberão nos deixar bem vivos na lembrança do que lhes demos fortuitamente; algo nosso, sem sabermos o quê. Aqueles que nos amam irão se lembrar de nós espontaneamente, com um sorriso secreto gostoso. Seremos refeitos por quem nos ama; reavivados no afeto depois da dor do luto. Mas o que fica da gente passa a ser do outro, que se apossa da nossa história. Deixamos pra quem amamos os bordados da nossa vida que não conheceremos… Renascemos na imaginação do outro? Talvez. Entretanto, a narrativa também não é mais nossa.

No filme Hanami – Cerejeiras em flor, o marido, após a morte súbita da mulher, busca encontrar dentro dele a mulher que ele não conheceu. Ele usa as roupas da mulher para que “ela” conheça a cidade de Tóquio e o Monte Fuji que, por anos, emolduraram sua fantasia. O marido deseja encontrar essa mulher, que ele não conseguiu conhecer, vestindo a fantasia dela, à qual ele foi indiferente – o casamento deles foi pleno de amor, mas muito fechado para a fantasia. Ele conta com a ajuda de uma desconhecida que se torna sua amiga e o leva ao encontro grandioso com a mulher, que ele não conheceu… E enquanto ele descobre o amor sublime que passa pela fantasia, seus filhos não ultrapassam as fronteiras do próprio imaginário em relação ao pai. Quando este morre, os filhos narram a história de um homem sobre quem eles supostamente tudo sabiam. Mesmo surpreendidos pela morte estranha do pai, eles não conseguem sequer pensar em um homem que se reinventou, com o renascimento da mulher na sua imaginação, na sua vida, nele mesmo. O homem que se tornou herdeiro de uma fantasia. E, por ela, foi salvo.

Ah, as palavras que gostaríamos de ouvir em nossos últimos instantes de vida? São as que não hesitaríamos em dizer a quem amamos nos seus últimos segundos de vida. A morte chega mesmo, mas não precisamos dela pra dizer eu te amo. Tampouco, pra nos despertar para a fantasia. Para a vida.



Viviane Campos Moreira.
Crônica publicada no Amálgama.

OBS.: para reprodução do texto em blogs, sites, portais, favor observar as normas do blog Amálgama. Favor citar os créditos como especificados no Amálgama. O Balaio da Vivi não autoriza a reprodução do texto de forma diversa ao que está regulamentado no blog Amálgama.

*Cerâmica com engobe.
Catálogo cedido pela artista plástica Liege Mendes.

terça-feira, 21 de junho de 2011

TARDE OBSCENA


Ma Ferreira*




amor

sem paixão



tem graça

não



tem gosto

não



tem calor

não



tem cheiro

não



tem calma

não



canela

não



torresmo

não



gengibre

não



quero

não



afrodite nos meus olhos

no que digo no que sinto



aurora dos anjos?

sou não





______________________________________________

Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.

Postado em videbloguinho.

*Ma Ferreira, autora da peça e do blog ARTE EM CERÂMICA.

Mais: FIM DE CASO.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bloomsday 2011

Dia 16 de junho na Casa Una - das 17h às 22h.
Evento realizado pelo GOM - Grupo de Oficcina Multimédia da Fundação de Educação Artística/BH.
Também serão homenageadas: Gertrude Stein, Emily Dickinson e Elizabeth Bishop.
Endereço: Rua Aimorés, 1.451 - Lourdes. Entrada franca.

Mais: aqui e no blog do Bloomsday BH.

Vídeo do Bloomsday 2010/BH realizado pelo GOM: aqui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Andy Warhol - últimos dias




Na Oi Futuro/BH, últimos dias da exposição Warhol TV.
Mostra do percurso de Andy Warhol pela TV.
Comerciais, entrevistas... Bianca Jagger e Andy Warhol entrevistam Steven Spielberg.
Também estão presentes na programação da TV de Andy Warhol: Jerry Hall, Sting, o Rio, a moda, a música, as artes plásticas e outros.

Curadoria de Judith Benhamou-Huet.

Av. Afonso Pena, 4.001 - Mangabeiras.
De terça-feira a sábado: das 11h às 21h.
Domingo: das 11h às 19h.

Informações: (31) 3229-3131.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Selinho do Arte em Cerâmica



Mais um presente da Ma Ferreira. Um motivo que vale ser comemorado: 100 seguidores. E eu sou uma dos 100. Sou seguidora do ARTE EM CERÂMICA e tenho a alegria de contar com a colaboração da Ma no AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS - projeto coletivo do videbloguinho, meu blog de poesia crônicas causos belas lorotas. Ma Ferreira enfeita nossos poemas com imagens de suas peças.

Ma, você tem razão: seu blog inspira arte!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poema CAIXA POSTAL em outra vitrine...

Meu poema CAIXA POSTAL foi postado no blog ARTE EM CERÂMICA da Ma Ferreira com uma peça dela com cores fortes, quentes, apaixonantes. Peça bela, bela.

Aproveito para agradecer a Ma Ferreira o carinho e a todos pelos comentários. Infelizmente, não estou conseguindo deixar meu comentário no blog da Ma - algo deve estar acontecendo no sistema do blogger?!

Não deixem de ver a gostosura da peça da Ma Ferreira com o poema que fala da teimosia do amor - afinal, o que seria do amor sem a teimosia de alguns?

Acesse o post aqui.

domingo, 29 de maio de 2011

Palestra do Loyola - Fliv 2011

Link do vídeo da palestra do Ignácio Loyola de Brandão no Fliv 2011 - Festival Literário de Votuporanga/SP. Ele fala sobre literatura, crônica, inspiração, o polticamente correto... Vale ver como ele fala sobre isso e sobre outros temas. Um papo delicioso!

O vídeo é do Clube dos Autores e foi compartilhado pelo Leo Gonçalves do blog SALAMANDRO.

Acesse aqui: Vídeo Loyola Fliv 2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amor e arte


Ma Ferreira/Blog: ARTE EM CERÂMICA


O AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS, no videbloguinho, a partir de hoje, passa a contar com a colaboração de Ma Ferreira que, gentilmente, cederá imagens de peças de cerâmica, de sua autoria, para ilustrar os poemas.

Todas as sextas-feiras são postados poemas no AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS.

Ma Ferreira estreia no AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS com uma bela mandala laranja, ilustrando meu poema TARDE OBSCENA. Pra inspirar obscenidades por aí, quem sabe...

Uma combinação adorável - amor e arte - não?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Calcinhas do bem

Por acaso, você já sonhou ou imaginou ou teve um devaneio ou um delírio com uma calcinha que alerta sobre o câncer de colo de útero? Ou um sutiã que alerta sobre o câncer de mama? Por esta, nem a mais politicamente correta das mulheres esperava! Muito menos, a mais devassa delas.

Mas não são só calcinhas e sutiãs, cuecas também terão etiquetas contra o câncer. Roupas íntimas terão de ser comercializadas com etiquetas que alertarão sobre o câncer de colo de útero, mama e próstata.

"O projeto de lei que prevê a nova regra foi aprovado em 10/5/2011 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados", já passou pelo Senado e seguirá para a sanção da Chefe do Executivo - Dilma Rousseff. "E depois da sanção presidencial, fabricantes e comerciantes terão 180 dias para se adaptar à novidade. O Ministério da Saúde vai definir como será a aplicação e a fiscalização da nova regra*."

*Fonte: jornal Estado de Minas, 11/5/2011, p.9.



* * *


Comentários? Por favor, fiquem à vontade! O Balaio quer saber...

domingo, 15 de maio de 2011

Felicidade aqui e agora

"Hapiness is now/here"* - frase escrita na t-shirt de uma moça na Grã-Bretanha, onde a felicidade se tornou assunto sério; tão sério que passou a ser levado em conta por políticos, economistas e acadêmicos que lançaram em abril deste ano a "Action for Happiness": "um movimento de massa para uma sociedade mais feliz".

"O movimento parte do princípio de que a bondade produz felicidade e estimula as pessoas a praticar atos simples de generosidade, como abraçar alguém, pedir desculpas ou ceder o lugar num ônibus. Segundo os fundadores, o movimento já tem mais de 4 mil membros, oriundos de 60 países, e pretende passar logo a marca de 1 milhão de 'ativistas da felicidade'."

*Fonte: revista Planeta, edição 464, p. 17 - maio 2011.



* * *


Um outro tipo de militância - por que não? Que seja! E seja bem-vinda.


Mais:Felicidade química.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

FIM DE CASO


Andréa Mendonça*
Foto: Miguel Aun.






tudo


foi


dito


sem


ter


sido


dito



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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS
Postado em videbloguinho.

*Queima em baixa temperatura - serigrafia e mosaico.
Catálogo cedido por Liege Mendes.

Mais: SEM PECADO.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Etiqueta inútil

Atrasada. Sábado de manhã, palestra da Lya Luft no Grande Teatro do Palácio das Artes - não quero perder por nada o Sempre um Papo com a Lya no belo teatro; acordo. Levanto e preparo meu café bem preto. Café forte. Preto. Café de verdade. Café.

Desperto sem cara de manhã de sábado. Chego ao Palácio das Artes quando a Lya fala sobre o seu processo criativo - algo natural pra ela. Há dias em que ela não escreve, não há sobre o que escrever, então ela não escreve. Os filhos sempre a viram escrevendo ou traduzindo e, naturalmente, tornaram-se filhos de mãe escritora.

Véspera do dia das mães e Lya fala sobre família. Diz que devemos cultivar as coisas humanas em um mundo cruel e ressalta que encontros nessas datas são bem-vindos pra trocar carinhos, abraços, beijos, afeto. Para Lya, esta é uma forma de resistir à comercialização.

Manhã temperada pelo outono e colorida de passarinhos. Passeio pelo café e jardins internos do Palácio das Artes. Em uma mesa, um casal parece brigar. Mas o dia nem começou!? Uma briguinha matinal pra esquentar o dia. E o café esfriando, enquanto eles se desentendem. Há casais que só brigam nas refeições. Por hábito. Conheci um casal que viveu feliz assim, brigando, por 42 anos, no café da manhã. Esse casal jovem está começando a trilhar os caminhos estranhos da felicidade - pensei.

Volto pra casa. Sábado interessante este... O que parece ser briga pode ser que não seja. E o que não parece ser, pode ser que seja. Artes do amor. Mirabolantes. Briguinhas matutinas acontecem por excesso de cuidado, de ocupação com o outro, ou por implicância mesmo, mas jamais por indiferença ou frieza. O café até pode esfriar... Ele que esfrie! E enquanto esfria, a espera amansa os ânimos, adoçando o mau humor. Tem gente que levanta com humor do cão. Com bom-dia ou sem bom-dia, a patada é certa. Melhor dar bom-dia logo. Milagres, dizem, acontecem.

No elevador vazio, ninguém a quem dar bom-dia, ou melhor, boa-tarde, e o espelho reflete triunfantemente: "Oi, essa etiqueta branca aí, essa aí, pouco discreta, não está do lado errado? Não era pra estar do lado de dentro?" O colete, ah! meu colete, está ao contrário. Zombo do espelho: De que adianta? Levemente do avesso estou.


__________________________________
Viviane Campos Moreira
Postado em Balaio da Vivi

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mais uma pra falar do amor...


Eu, Marina.



O AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS no videbloguinho, a partir de hoje, também conta com a colaboração de Marina Lustosa, estreando com um poema curto que fala do amor, com humor.

Poema CONFIDÊNCIAS.

Mais: troca de poemas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Lya Luft no Palácio das Artes

Dia 7 de maio, sábado, às 11h, Lya Luft, convidada do Sempre um Papo, estará em BH para o lançamento de "A Riqueza do Mundo" e debate. Grande Teatro do Palácio das Artes. Entrada franca.

Abaixo, segue trecho do texto de divulgação do Sempre um Papo.


* * *


"O Sempre Um Papo recebe a escritora Lya Luft para uma homenagem às mães e debate e lançamento do livro A Riqueza do Mundo, (Editora Record). A autora apresenta uma coletânea de ensaios breve, como crônicas ou artigos. Como lhe é de costume, Lya aborda o drama existencial humano, nossas comuns perplexidades, educação, família, autoridade, moralidade versus moralismo, e alguns dos problemas mais pungentes da nossa sociedade, como guerras, miséria e política. A conversa tem mediação do idealizador do Sempre Um Papo, Afonso Borges. A entrada é gratuita.

A Riqueza do Mundo é uma espécie de 'livro das indagações', com críticas, dúvidas, momentos de fria lucidez e outros de grande delicadeza. Temas que nos trazem, cara a cara, alguns de nossos fantasmas, para que, se pronunciarmos o seu nome, eles se tornem menos assustadores."

Informações: (31) 3261.1501 – www.sempreumpapo.com.br

Mais: Etiqueta inútil.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SEM PECADO


Bel Resende*
Foto: Miguel Aun.



inspirar
expirar

...

inspirar
expirar

...

inspirar
expirar

...

vem que nessa onda
quem perde a rima
encontra o ser e a poesia

______________________________
Viviane Campos Moreira.
Postado em Balaio da Vivi.

*Queima em baixa temperatura.
Catálogo cedido por Liege Mendes.

Mais: TEMPO DE RECOMPOR.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um item a mais na bolsa das belo-horizontinas!

Na bolsa de toda mulher, ainda que cada mulher seja uma, há batom, gloss, escova de cabelo, escova de dente, creme, filtro solar, perfume, fio dental, pinça, caneta, agenda, celular, ipod-ipad-mideixa-milarga, penca de chaves, sombrinha de R$ 9,99, amuletos e outras coisas mais - algumas inimagináveis. Ah, e fotos. Há também fotos e, provavelmente, uma foto marcada com beijo de batom vermelho, bem marcada, para que não se esqueça o momento nela registrado. Claro que os itens variam em espécie e quantidade, mas bolsa de mulher costuma ser farta - de criatividade também.

Agora, na bolsa das belo-horizontinas, têm todas, ou não todas, essas coisas, mais a sacolinha. Isso mesmo: sacolinha de plástico compostável - sabe-se lá o que é uma sacola de plástico compostável! Mesmo não sabendo, as belo-horizontinas entraram na moda da sacolinha compostável.

Mas ainda não se sabe, porque não deu tempo pra se fazerem pesquisas sobre esse dado novo no comportamento das belo-horizontinas, a razão da sacolinha compostável toda dobradinha dentro da bolsa. Não se sabe, portanto, se esta seria uma forma de protesto, ou bobagem, nada disso, uma medida econômica mesmo, pois cada sacolinha custa R$ 0,19. Tudo bem: a velha e boa reação das donas de casa mineiras.

E a técnica pra dobrar a sacolinha compostável e deixá-la miudinha, miudinha? Seria uma forma de distração, quase meditação?

Leva-se um tempo dobrando, redobrando, dobrando de novo, mais um pouco, um pouquinho mais, a sacolinha. Algumas belo-horizontinas criaram dentro da bolsa um bolso próprio para as tais sacolinhas. Daqui a pouco, as belo-horizontinas vão inventar origami de sacolinhas. E logo mais, cursos pra ensinar como dobrar as sacolinhas pra deixá-las charmosas dentro da bolsa.


* * *


Desde 18/4/2011 entrou em vigor a Lei Municipal 9.529/2008 que proíbe o uso das sacolinhas de plástico à base de petróleo. Para a lei pegar, precisa do apoio da população.


Viviane Campos Moreira.
Postado em Balaio da Vivi.

terça-feira, 19 de abril de 2011

chocolate x chocolate



Aproveitando o flyer da agência QG7 (Minas/B.Horizonte), gentilmente cedido, o Balaio da Vivi ficará sem postagens esses dias.

Nesta disputa chocolate x chocolate não tem pra ninguém! E eu que não sou boba nada, estou tirando meu time de campo. É a vez dele mesmo, então deliciemos gostosamente com ele.

Um ótimo feriadão! Uma bela Semana Santa! Cuidado nas estradas - ah sim! Vamos na maré doce do chocolate... Tiradentes perdeu um pouco o brilho nessa emendada com a sexta-feira da paixão, mas lembramos sempre dele - como esquecê-lo? Podemos? Devemos? Não. Não mesmo. Dijeituninhummmmmm!

Uma páscoa recheada de delicados e mágicos sabores...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Selinho no Balaio




Ganhei de presente o "SELO BLOG POP" da Ma Ferreira do blog ARTE EM CERÂMICA. Nele, MA Ferreira posta fotos de seus trabalhos, comentários sobre a criação e produção de suas peças, e poesia!

Foi com alegria que eu recebi o selinho e o compartilho com meus queridos seguidores, blogueiros, tuiteiros e visitantes.

Difícil mesmo escolher pra quem daremos o selinho...

Para que o "SELO BLOG POP" siga adiante - não queremos retê-lo, não é? - convém:

1) Exibi-lo no blog.

2) Dizer de onde ele veio: de qual blog ele veio pra você.

3) Escolher outros blogs, a quem dar de presente o “SELO BLOG POP", pra que ele circule... - esta é a parte mais difícil!

Nada mal começar a semana com um presente desse!!!

Grata, Ma Ferreira!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rapidinha no videbloguinho

De volta no videbloguinho, as RAPIDINHAS - perguntas sobre escritores, obras literárias...

Na RAPIDINHA de hoje - quem é o autor da frase: "São seis elementos: ar, terra, fogo, água, sexo e morte. Não, são sete: e lirismo" , a vencedora foi Tânia Lúcia Chaves, que ganhou um coelhinho de chocolate!

Acesse aqui.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pensão alimentícia x maioridade

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas condenou o pai a pagar pensão alimentícia à filha de 25 anos de idade. A decisão baseou-se no critério da necessidade e, legalmente, no art. 1.694 e seguintes do Código Civil. O tribunal, no entanto, diminuiu o valor da pensão alimentícia.

Na jurisprudência, há decisões que determinam a prestação de alimentos a filhos maiores, quando há a "necessidade de suprimento". (Fonte: Novo Código Civil da Família Anotado - Rodrigo da Cunha Pereira)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"A poesia enfeita o mundo"


Lançamento do livro re-canto de Therezinha Melo.
Belo Horizonte - dezembro 2009.

Entrevista com a poeta Therezinha Melo Urbano de Carvalho - uma prosa deliciosa sobre educação, leituras, criação. Um papo saboroso sobre poesia.

Por que devemos ler poesia? Clique aqui.

sábado, 2 de abril de 2011

Indenização por bullying

"A Justiça do Rio* condenou o Colégio Nossa Senhora da Piedade a pagar uma indenização de R$ 35 mil por danos morais à família de uma ex-aluna que sofreu bullying de companheiros de escola. Segundo relato dos pais da aluna, Ellen Bionconi e Rubens Affonso, a filha, na época com 7 anos, sofria agressões físicas e verbais desde o início das aulas, em março de 2003. A vítima foi espetada na cabeça por um lápis, arrastada, sofreu arranhões, socos, chutes, gritos no ouvido, palavrões e xingamentos. Devido ao bullying, a criança ficou com fobia de ir à escola, passou a ter insônia, terror noturno e sintomas psicossomáticos, como enxaqueca e dores abdominais. A menina teve que se submeter a tratamento com antidrepressivos e, no fim do ano letivo de 2003, mudou de escola. Em sua defesa, o colégio alegou ter tomado todas as medidas pedagógicas possíveis, mas não afastou os alunos que provocavam o bullying."


*Fonte: jornal Estado de Minas, p. 12, 2/4/2011.


Mais sobre bullying: aqui e aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Felicidade química

"Os brasileiros* estão recorrendo mais aos antidepressivos e estabilizadores de humor para conseguir lidar com as pressões do dia a dia, o que traz alegria para os fabricantes. Depois de investir muitos bilhões de dólares, a indústria farmacêutica, para muitos, desvendou a química da felicidade. No país, o faturamento com a comercialização desses medicamentos cresceu 138,5% nos últimos cinco anos, bem acima da média mundial de 15,4%. As vendas brasileiras saltaram de US$271,6 milhões em 2006 para US$647,8 milhões em 2010, segundo dados do IMS Health, instituto de pesquisa que faz a auditoria do mercado de medicamentos.

Levantamento do IMS Health com 55 países revela que nos últimos cinco anos, em países como Estados Unidos, Alemanha, França e Espanha, as receitas com vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor ficaram praticamente estagnadas. No Reino Unido, chegaram a cair 30,8% no período, passando de US$ 703 milhões para US$ 486,6 milhões. Enquanto isso, o faturamento no Brasil e na China mais que dobrou e atingiu patamares próximos aos dos grandes consumidores canadenses e europeus - reconhecidos por níveis mais elevados de depressão entre a população.

Mundialmente, os mais ricos são também os que mais consomem remédios para depressão. Os Estados Unidos movimentam sozinhos mais de 60% do mercado, mas vêm apresentando crescimento leve desde 2006. O avanço de países emergentes como o Brasil e a China é bem mais agressivo. Percentualmente, o Brasil dobrou sua participação no faturamento mundial, assim como os chineses, que crescem a passos de gigante também nos incômodos da alma, movimentando, no ano passado, US$ 710 milhões com as chamadas pílulas da felicidade.

Para se desenvolver um medicamento com grande impacto terapêutico, o investimento médio da indústria é de US$ 1,2 bilhão. Mas o mercado é promissor. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que em 2030 a saúde mental vai ocupar lugar de destaque no orçamento doméstico. A depressão vai ser a doença mais comum, à frente de outros problemas, como os cardiovasculares.

Estima-se que no Brasil entre 10% e 20% da população sofra da doença o que requer o consumo contínuo de substâncias por uma boa parte da vida.

A quebra das patentes e o fornecimento das substâncias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também serviram para popularizar o uso dos antidepressivos e evitar que, por questões econômicas, o tratamento seja abandonado.

Jogando a favor do lucro da indústria farmacêutica está a longevidade da população, aliada ao avanço da neurociência.

Pessoas mais jovens entristecidas também garantem força extra à expansão do mercado de antidepressivos no país.

O diagnóstico psiquiátrico feito por médicos de várias especialidades reforça as vendas mas preocupa: "Hoje, sentimentos e emoções são confundidos com depressão", diz a presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, Sandra Carvalhaes."

*Fonte: jornal Estado de Minas - Economia - p.14 - 27/3/2011.



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E como ficamos? Será que a vida não fica "azul" demais com essa felicidade? Será que não ficamos presos na ideia de uma felicidade sem infelicidade?

E o sentir poético, com suas contradições, ambivalências e estranhamentos - onde fica; pra onde vai? Que tal pílulas de poesia? Pelo menos, haveria no ideal de felicidade outras cores além do "azul". Nas prateleiras, haveria cinza, castanho, roxo, vermelho...

segunda-feira, 28 de março de 2011

A reinvenção do amor - Malvine Zalcberg

Em maio, no Rio, na Casa do Saber, curso com a psicanalista Malvine Zalcberg.


“O amor é para ser reinventado, o sabemos”, escreveu o poeta Arthur Rimbaud em 1873.O fato de as mulheres terem adquirido, a partir do século XX, maior independência pessoal, econômica e sexual contribuiu, entre outros fatores, para que grande parte das relações entre os sexos se tornasse frágil e transitória. Sentimentos de depressão e solidão cada vez mais frequentes, de um lado, e queixas de homens e mulheres por não encontrarem parceiros dispostos a relações duradouras e sólidas, de outro, são indícios da necessidade de se repensar a inscrição do amor na vida do sujeito contemporâneo.

Início 3 de maio • Terças-feiras, às 20h • 4 aulas • R$ 160 + 1 parcela de R$ 200


3 DE MAIO 1. EM DEFESA DO AMOR

O amor deve ser reinventado e defendido, porque está ameaçado. Uma das ameaças decorre do fato de os sujeitos estarem em busca de um amor sem riscos. Outra ameaça provém da circunstância de os sujeitos não atribuírem fundamental importância à dimensão do amor em suas vidas. O amor deve voltar a inscrever-se no risco e na aventura, na experiência autêntica e profunda da alteridade pela qual o amor é tecido. “O amor será sempre o amor” (Gilles Lipovetsky, 1997).


10 DE MAIO 2. A ARTE ANTECIPANDO TENDÊNCIAS E CORRENTES

A retomada expressiva de filmes, livros e peças de teatro com temáticas de relacionamentos amorosos revela como a busca por novas formas de amar se expressa no imaginário de nosso tempo. O que teria inspirado Godard, em "O elogio do amor" (2001), a falar dos quatro tempos do amor – em que, após a união, a paixão e a separação, haveria a reconciliação –, se não estivesse implícita a ideia de uma aspiração à continuidade e à permanência de laços afetivos?


17 DE MAIO 3. FILÓSOFOS MODERNOS MILITAM PELO AMOR

Platão já havia estabelecido o vínculo particular entre amor e verdade. A Filosofia retoma essa ideia, debatendo a forma como o amor constitui uma experiência que tem algo de universal. O universal no amor é a construção de uma verdade sobre o ser Dois e não Um. “O amor é a verdade da diferença como tal” (Alain Badiou, 2009).


24 DE MAIO 4. OS NÓS DO AMOR

A Psicanálise ressalta a importância do amor para suprir a relação sexual que, no sentido de complementaridade, não existe entre os sexos. Homens e mulheres são seres que não falam a mesma língua e são destinados ao desencontro. O que permite a relação entre os sexos é a contingência dos encontros amorosos. O amor é essa confiança atribuída ao acaso. “Do amor se fala!... Talvez ele não seja mais do que um dizer... um jogo do qual as regras não são conhecidas.” (Lacan, 1975)



Malvine Zalcberg

Psicanalista e doutora em Psicanálise pela PUC-Rio. Na qualidade de professora adjunta da Uerj exerceu, por 25 anos, atividades de coordenação, ensino e pesquisa no Serviço de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto e no Instituto de Psicologia. É autora de livros como "A relação mãe e filha" e "Amor paixão feminina".


Informações: inforio@casadosaber.com.br.
Site: www.casadosaber.com.br.
Tel.: (21) 2227 2237.
End.: Av. Epitácio Pessoa, 1.164 - Lagoa - Rio de Janeiro.


Mais: A trama do amor entre o homem e a mulher; A mágica do amor na conferência de Malvine.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O que as mulheres não querem?


Paula Souza Dias*
Foto: Miguel Aun.




Freud, diante do enigma do desejo feminino, formulou a pergunta: “Afinal, o que quer a mulher?” A histeria feminina foi acolhida pela escuta de Freud, que deu às histéricas o poder da palavra. E charme. Bastante charme.

“Impressionado com o relato do médico Josef Breuer sobre o tratamento de Anna O., que permitiu a Breuer inventar o método da catarse de rememoração sob hipnose, a cura pela palavra, Freud despertou para esta possibilidade. No final do século XIX, então estagiário no Serviço do Professor Charcot em Paris, Freud, desperto com o caso de Anna O., deparou com a histeria feminina ainda associada à feitiçaria e à possessão demoníaca. O neurologista Jean Martin Charcot estava interessado em descobrir uma base orgânica para a histeria e Freud e Breuer um sentido psíquico – Anna O. havia adoecido da doença mortal de seu pai, por amor a este.” (Malvine Zalcberg em Amor paixão feminina.)

De acordo com Malvine:

Freud, de volta a Viena, associou-se a Breuer e desta parceria resultaram os Estudos sobre a Histeria; o marco inaugural da psicanálise. Anna O. tornou-se a primeira histérica na história da psicanálise que reservou para a mulher um lugar privilegiado. Ela, Anna O., conduziu Freud e Breuer à descoberta de que o consciente não constitui o todo do psiquismo – nele há um aspecto inconsciente. Assim, a feminilidade e o inconsciente entrelaçaram-se na criação da psicanálise que, de certa forma, satisfaz uma das principais solicitações histéricas que é a de um saber sobre o sexo. Freud foi além de Breuer e Charcot reconhecendo, nos aspectos recalcados de Anna O., um componente sexual; descoberta que elucida a perspectiva psicanalítica de que a sexualidade transborda a relação sexual, alojando-se no campo do sintoma.

Outros tempos, outros sintomas, outras manifestações sintomáticas, “embora permaneça verdadeiro”, como diz Malvine, “que o que a histérica não consegue sustentar em sua existência, seu corpo o expressa.”

Nessa época dos estudos de Freud, as mulheres ainda tinham um único e imutável papel na sociedade. Em Moral Sexual “Civilizada” (1908), Freud critica a moral sexual repressora para as mulheres e “dupla” para os homens. As mulheres eram educadas de acordo com uma moral sexual baseada na “retardação artificial das funções eróticas” – fonte de sofrimento psíquico para elas. O desejo feminino não era bem-vindo. A “castidade feminina” que recompensava socialmente as mulheres com o lugar de esposas comprometia seu desenvolvimento psíquico, pois elas tinham que assumir o papel de esposa e a função de mãe, sem terem sequer se deslocado da posição de filha para a de mulher.

As filhas que se tornavam esposas também eram educadas por seus maridos. Eles – o pai e o marido – detinham o saber. A sexualidade feminina se constituía toda no discurso do outro: pai, marido, religião. E “toda” inserida no discurso do outro do patriarcalismo, ficava à margem da educação, cultura, linguagem, do saber permitido às mulheres. Supostamente, desejar um discurso próprio sobre a sua sexualidade era uma transgressão para a qual elas não estavam preparadas – podemos imaginar quantas mulheres sucumbiram na impossibilidade de falar da própria sexualidade.

Nossa sociedade é outra, diferente. Vivemos a liberdade sexual sem as restrições da moral sexual da época de Freud. As mulheres hoje têm múltiplos papéis; psiquicamente, não carregam mais o peso da armadura de um único papel, embora a sexualidade feminina siga o discurso de um outro que diz às mulheres em todos os lugares e a qualquer hora do dia, da noite, o que vestir, o que comer, aonde ir, com quem ir e até como “se dar bem”. A sexualidade feminina no século XXI é tão influenciada por padrões de beleza, saúde e sucesso que fica difícil de identificar os significados de cada um. Saúde, beleza e sucesso entrelaçam-se de tal maneira que se confundem, pois o que é saudável é belo e faz sucesso.

Deborah L. Rhode (autora de The Beauty Bias, 2010), no artigo “A injustiça da aparência” (The injustice of appearance, Stanford Law Review, 2009), aponta a aparência como um problema sério para as mulheres na contemporaneidade. Os investimentos na aparência somam bilhões por ano e homens e mulheres, mais as mulheres, evidentemente, investem tempo e dinheiro no que as deixa atraentes – impressionam as despesas (em bilhões) com cuidados e tratamentos para cabelo, pele, cirurgias estéticas, cosméticos, perfume; denominadas por Rhode “os custos da nossa preocupação cultural com a aparência”.

De acordo com Deborah Rhode, a aparência influencia na avaliação sobre competência e profissionalismo, sendo, portanto, associada a ambos. (Estudo da socióloga Catherine Hakim – Erotic Capital – confirma que pessoas com capital erótico, um conjunto de habilidades e atributos que as torna mais atraentes física e socialmente, têm mais oportunidades e ganham mais.) Rhode indaga sobre o que é ser atraente, esclarecendo que hoje este conceito provém de padrões predeterminados: a globalização dos meios de comunicação em massa e da informação tecnológica incrementou a cultura da aparência com padrões que definem o que é ser atraente.

A preocupação com a aparência começa cedo. As crianças vêm sendo ordenadas na cultura da aparência “naturalmente”, e as que não correspondem aos padrões de atratividade – crianças acima do peso ideal, por exemplo – têm apresentado dificuldades e problemas psicológicos. O estigma da obesidade persiste na fase adulta e mulheres acima do peso ideal são mais discriminadas que homens na mesma situação. Segundo Rhode, para muitas pessoas, a discriminação baseada na aparência parece justificável porque profissionalmente a aparência é relevante. E uma das formas mais comuns desse tipo de discriminação envolve o peso.

A advogada e professora da Stanford Law School defende uma proteção legal ou uma outra forma de reação social para a discriminação baseada na aparência por ela ser uma forma significativa de injustiça e por ofender os princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Para Rhode, tal discriminação não deve ser tolerada. Ao contrário, deve haver um remédio legal para esta discriminação, pois quem possui características físicas imutáveis e impossíveis de se ajustarem aos referidos padrões ainda não pode contar com a proteção da lei. Rhode argumenta que quem fica fora dos padrões de beleza e atratividade, em geral associados a status, autoestima, competência, profissionalismo paga caro financeira e psicologicamente e quem investe tempo e dinheiro para obter os ganhos de uma aparência moldada por tais padrões também paga caro. Adverte: a sexualização da mulher valoriza o look em detrimento do mérito.

No teatro, a personagem Nora de Casa de Bonecas (1879), do norueguês Henrik Ibsen, ilustra o drama da mulher de sua época e também o da mulher de hoje. Nora se inquieta com o papel de boneca que lhe fora dado primeiro por seu pai e depois pelo marido. Ao lado de Helmer, Nora permanecia a mesma: boneca. Esposa, mãe e boneca. Sem direito a outro lugar no seu casamento, Nora parte em busca do seu desejo: tornar-se um ser humano; uma mulher. Ou mais de uma. Talvez muitas… Ou tão somente outra, tendo como ponto de partida o que ela não queria. Saber o que não se quer pode vir a ser o despertar para uma promessa – por vezes chegamos ao que queremos pelo o que não queremos. Contudo, entre a heroína Nora e a mulher de hoje há muitas calorias a mais no processo de subjetivação.

Tanto a mulher da época de Freud quanto a mulher de hoje precisam do olhar, da palavra do outro, sobretudo “das palavras de amor de um homem na constituição da sua subjetividade”, segundo a psicanalista Malvine Zalcberg. É preocupante que a sexualidade feminina – “uma construção complexa que envolve amor, desejo e gozo, a partir da falta” – sofra tanta influência desse outro da contemporaneidade que joga pra não perder. Mas as mulheres costumam ser astutas, com photoshop ou sem photoshop

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Viviane Campos Moreira.
Publicado no Amálgama.

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*Queima em alta temperatura - forno a gás.
Catálogo cedido pela artista plástica Liege Mendes.