sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

FISSURA

odeio suas míopes certezas
adoro seu olho
meio morto
meio torto
manhoso
maroto

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Viviane C. Moreira
série AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Bem-vindo, 2018

Henri-Edmond Cross
As Ilhas de Ouro (1892)


Um ano novinho com todos (e mais 
todos) os recomeços 
desejados 
se possível  (quem 
sabe?) com mais 
humor.


*

Aproveito para agradecer a todos que enfeitaram minha vida com beleza, carinho, inteligência, humor e alegria em 2017 - enorme a lista de nomes este ano.

Obrigada aos queridos colaboradores do AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS: Alex, Alexandre, Aninha, Bruno, Cláudio, Daniel, Eduardo, Elias, Fernanda, Fernando (in memoriam), João, Luska, Marina, Rae, Sabiá e Vânia.

Obrigada a Acácia Azevedo e Ma Ferreira pelas belas peças de cerâmica que enfeitam nossos poemas.

Obrigada aos leitores, seguidores e interlocutores queridos do Balaio da Vivi, do videbloguinho, do AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS  e do Facebook.

Obrigada ao Daniel Lopes do Amálgama e ao Antonio Ozaí do Blog da REA pelo espaço para os meus textos.


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E para além das fronteiras da virtualidade, no Direito, aproveito para agradecer aos clientes com quem tenho aprendido muito sobre a esperança de dias melhores. 

Obrigada pela partilha de afirmação da vida, do afeto, do desejo e da liberdade.

Também aproveito, na Literatura, para agradecer aos colegas queridos das oficinas de escrita pela escuta e pelo olhar generosos.

Obrigada a Eliza Caetano, Flávia Péret, Laura Cohen, Caio Meira pelas oficinas superhipermegamaravilhosas realizadas no Estratégias Narrativas.

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Obrigada pelos convites!


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OBS.: informo que não haverá postagens nos blogs em janeiro e fevereiro.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Boa noite de Natal


Mais um Natal.
Mais uma noite para pequenos gestos.
Uma noite mais em que podemos estar juntos.
Uma noite para inspirar renascimentos mais felizes.
Uma noite que passa entre nós. 
Uma noite dentro e fora.

*

Desejo a todos uma bela e boa noite de Natal!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

À MESA

Viviane C. Moreira



Um homem 
entalhava linhas
falhadas escurecidas
retas e curvas 
num pedaço de papel (ou 
de madeira?) 
coluna 
o pescoço 
a nuca e os joelhos       sem rede
deixava-se
cair
um homem matava 
a sede (do desejo?)
as horas
os dias
a fome            o instante      
o homem

A sombra de uma asa 
dobrada 
    dentro da mão 
desejada por olhos 
pouco sinceros

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Viviane C. Moreira
série AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O que pode a dúvida?

Grupo Tapa


Uma mesa e, em torno dela, doze homens escolhidos entre pessoas comuns da sociedade para julgar a conduta de um réu de 16 anos que teria esfaqueado e matado o pai. O filho criado pelo pai violento cresceu em um bairro também violento. A origem do réu e o ambiente onde crescera pesavam na apreciação dos fatos pelos jurados. Se o Júri reconhecesse a culpabilidade, o réu seria condenado à cadeira elétrica - a história se passa nos EUA. 

Começando a votação, 11 votos favoráveis à condenação do rapaz e um jurado que não tinha se convencido de que o réu havia cometido o crime. Esse jurado, um arquiteto, precisava de mais tempo, do que os outros jurados, para refletir sobre alguns pontos da acusação que o impediam de chegar à mesma conclusão dos demais. Propõe, então, uma nova votação. Assim recomeça a votação balançada pela incerteza de um único jurado. Afinal, o que ele desperta nos jurados? 

O arquiteto desvia o olhar dos jurados para questões que não haviam sido levantadas pela defesa. Numa espécie de jogo de espelhos e planos, ele traz para a mesa dos jurados o que não fora visto pela defesa. 

A maioria pressiona o jurado dissidente, mas ele insiste no debate com o intuito de trazer, à plácida mesa lisa das certezas, a dúvida. Ele não se dobra à pressão da maioria. Prossegue nas suas reflexões sob forte resistência e convoca todos a pensar. A mesa permanece no mesmo lugar, mas as certezas não.

À medida que as certezas vão sendo desmontadas, alguns jurados se comportam como se estivessem na plateia apaixonada de um jogo na final de um campeonato, como se estivessem em um estádio e não à mesa de julgamento.

De todo modo, a mesa das certezas já não era a mesma. O tempo para pensar, para refletir, para avaliar, para que se possa chegar à conclusão, sem garantia de que a conclusão a que se chega é a certa, esse tempo do exercício do julgar passou a compor a mesa. E o espaço da treta, como se diz, tornou-se um lugar do debate. Os 11 votos a favor da culpa do réu se transformaram em 11 votos a favor da sua inocência.

Podemos sentir nas nossas peles o mal-estar da falta de debate. Podemos nos ver entre os jurados e para além deles. Mas quanto a nós, jurados de plantão, pelo menos na internet, será que temos dado tempo e espaço para a dúvida? Será que estamos preparados, como o jurado arquiteto, para inventar um lugar possível para o debate?


*

A peça Doze homens e uma sentença esteve em cartaz em Belo Horizonte nos dias 9 e 10 de agosto de 2017 no Cine Theatro Brasil Vallourec.
Direção: Eduardo Tolentino.
Texto: Reginald Rose.
Tradução: Ivo Barroso.
Grupo Tapa: site aqui
Página da peça no Facebook: aqui

terça-feira, 30 de maio de 2017

(des)concreto

paisagens: móveis?
                                                           
Viviane C. Moreira

terça-feira, 16 de maio de 2017

Um sonho de outono

Viviane C. Moreira


Um amigo do colégio com quem não rolou nada, nem um beijo, nem um beijinho, meu namorado hoje. Com o mesmo cabelo castanho embrulhado em cachos. O corpo, o mesmo: fino, reto e comprido. Ainda o sorriso hesitante no rosto. O olhar de homem escondido no menino. Minhas mãos de hoje. As mãos dele de ontem. Eu&Ele hoje? Em um elevador antigo. "Por favor, desliguem os celulares e liguem o inconsciente" - um aviso, uma voz, o quarto sinal no teatro.


*

O aviso...
Na peça Hilda e Freud que esteve em cartaz no teatro Bradesco em Belo Horizonte nos dias 12 e 13 de maio.

Com Bel Kutner e Antonio Quinet.
Texto: Antonio Quinet.
Direção: Antonio Quinet e Regina Miranda.
Direção de arte e cenografia: Analu Prestes. 

Mais sobre a peça: aqui
Debate com a participação do autor, ator e diretor Antonio Quinet e da diretora Regina Miranda: aqui

terça-feira, 11 de abril de 2017

Páscoa

British Museum


O que vai viver, espera.

(Adélia Prado no poema Ovos de Páscoa)


*

Uma Páscoa feliz a todos!

terça-feira, 21 de março de 2017

Pedaço de céu

Outono em Belo Horizonte

Viviane C. Moreira


Quem não vê o outono no céu, sei não, sei não. Ou tem juízo demais. Ou tem juízo de menos.Bom dos olhos ainda não está. 

Outono, o beijo bom. Aquele que não precisa de explicação. Aquele beijo que não precisa de muito porque já é bom. Pode não ser o melhor - e por que seria, se já é bom? Todo mundo nessa vida de pouco tempo e gosto para tudo, até para o que não existe, entende um pouco dessas coisas de beijo bom, não entende?

Mas como tudo na vida é, quando é mesmo bom, o outono também é exigente. Deve ser por isso que a gente beija, beija no verão mas aprende a beijar mesmo no outono.

quinta-feira, 16 de março de 2017

CAFÉ & UVA PASSA



s.i.m
p.r.e.c.i.s.o.sim
n.ã.o.pre.ci.so.não
sim.p.r.e.c.i.s.o.s.i.m.s.o.r.r.y
de.a.l.g.u.é.m.que.n.ã.o
me.dê.s.i.m

não
Jose.fina
ri.no.plas.

            ti.a não é
            bom pra dor
            nos rins

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            Viviane C. Moreira
            série AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

            Publicado aqui


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Mais: MARCHINHA DE UMA SAFADINHA

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

MARCHINHA DE UMA SAFADINHA

ah
ai de mim
se eu fosse a Iasmim

eu roubava do Aladim
o gênio
para mim
ah
ai de mim
se eu fosse a Iasmim
eu teria um gênio
amante
só para mim

ai do Aladim
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Viviane C. Moreira
série AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

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Mais: VEXAME

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

VEXAME



não

fica o dito 

pelo não dito

eu grito

o gato não 
comeu 
a minha língua

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Viviane C. Moreira 
série AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS

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Mais: CHIC


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A verdade em algum lugar

Foto: Danielle Oliveira


Em verdade, todos temos pelo menos uma verdade para contar.
Em verdade, acostumamos a não contar nem pelo menos uma verdade.
Em verdade, fazemos de tudo para não contar, de forma alguma, essa verdade.
Em verdade, corremos atrás do impossível para silenciá-la.
Em verdade, enlouquecemos para apagar a verdade de nós mesmos.
Em verdade, o hospício está cheio de verdades.
Em verdade, em algum lugar, ainda assim a verdade se tece e se faz presente.

Em verdade vos digo nos desafia a escutar verdades.
Mais do que escutar, nos propõe um jogo com verdades.
Podemos estar entre verdades nesse jogo.
Entre verdades escondidas. 
Entre verdades inventadas. 
Entre verdades proibidas. 
Entre verdades vividas, sobretudo quando estamos na pele de um outro. 

Somos avisados: "o espetáculo já começou". 
O jogo já começou.
Quem vai contar uma verdade, aquela, primeiro?

Personagens que existem em todas as cidades do mundo. 
Pessoas invisíveis. 
Gente que experimenta no próprio corpo a vida dura das verdades detrás da face do outro. 
Gente da vida. 
Homens e mulheres da vida. 

Corpos marcados pela vida. 
Corpos que não escolhem como querem ser marcados pela vida. 
Corpos em que a vida deixa suas marcas mais profundas.
Corpos. Mercadorias. Peças de um jogo.

E quem pode afirmar que não está no jogo que transforma corpos em mercadorias?

O teatro?

*

Em verdade vos digo: com André Luiz Dias, Luciene Lemos, Amanda Chaves e Cristal Lisboa.
Direção: André Luiz Dias.
Dramaturgia: André Luiz Dias e Anderson Feliciano.
Produção: Instituto Cultural In-cena.
Grupo In-cena de Teatro. (Teófilo Otoni - MG)

A peça esteve em cartaz nas terças, quartas e quintas-feiras no período de 31/1/17 a 16/2/17 no Sesc Palladium em Belo Horizonte.

Em verdade vos digo integrou a 43a. Campanha de Popularização de Teatro e Dança.