Especialistas apontam o bullying como uma forma de violência praticada, em geral, entre crianças e adolescentes. Estima-se que mais da metade de casos de bullying ocorre nas escolas, nas salas de aula. O bullying pode começar com um apelido humilhante e terminar em agressão física. Com as modernas tecnologias de comunicação, a prática dessa modalidade de violência via internet, celular recebeu o nome de cyberbullying. Por que se pratica o bullying? Esta é uma questão que envolve pais, filhos, a escola e a sociedade, pois todos sofremos com a falta de boa educação.
Mais: vídeo Bullying
sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
FIT- BH 2010
Vem aí, entre os dias 5 e 15 de agosto, a 10ª edição do Festival Internacional de Teatro de palco e rua, com mais de uma centena de apresentações e participação de companhias de vários países.
Veja a programação
Informações: (31)3277 4366.
Os espetáculos "Tudo que eu queria te dizer" com Ana Beatriz Nogueira, baseado na obra da escritora gaúcha Martha Medeiros (autora de Doidas e Santas) e "Simplesmente eu, Clarice Lispector" - com Beth Goulart - entraram na programação.
Veja a programação
Informações: (31)3277 4366.
Os espetáculos "Tudo que eu queria te dizer" com Ana Beatriz Nogueira, baseado na obra da escritora gaúcha Martha Medeiros (autora de Doidas e Santas) e "Simplesmente eu, Clarice Lispector" - com Beth Goulart - entraram na programação.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
DISSONÂNCIAS

Diva Dias Ribeiro*
Foto: Miguel Aun.
o meu amor se faz
alvorada verdejante
em teus dias de tormenta
nele aninho-me
sem medo
esvaziada de mim
possuída de ti
embriagada de vontade do teu desejo
amo-te
sem peias
na lucidez tardia do nosso encontro
sonâmbula
eu te amo
no quarto escuro da paixão
onde nos descobrimos tão sós
privado no calor da entrega
meu corpo adormece febril além de ti
e do que resta de mim,
pois não me vendo a teus temores infantis
nem às escusas polidas do teu amor de verniz
o meu amor candeeiro
mensageiro terno do meu desejo
é o meu destino de mulher traçado no meu corpo
coberto de silêncios, frêmitos e vãos
o amor em mim
pulsa
faceiro feito criança fagueira
que brinca de amar, amando
que ama brincando de amar
sou guardiã dos meus encantos
cativa do meu amor
que não me tomas,
quando o deverias
___________________________________________
Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS
Postado em videbloguinho
*Queima em alta temperatura - forno a gás.
Catálogo cedido por Liege Mendes.
Mais: ROMANCE EM SUPER-8.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Transar na minha guarita, não!
Um prédio. Um sábado. Uma festinha no salão de festas. Garotada do ensino médio. Música alta, altíssima. Gosto duvidoso. Creu-creu-creu-creuuuuuuuuu… e o tal creu não tinha fim. Sofríamos no 7º andar. Depois fiquei sabendo que a turma da cobertura no 13º também padeceu com o creucreucreu. Bom, mas quem não tem um adolescente em casa? É…
Nesse prédio, como em outros, câmeras foram instaladas na garagem, quadra, hall, pilotis, salão de festas, com exceção dos elevadores, escadas de serviço e guarita. Em reunião de condomínio, os elevadores foram poupados. A maioria dos moradores queria preservar os restos de uma privacidade possível. Imagino que muitas mulheres desejavam, secretamente, guardar um espaço mínino de intimidade, livre do alcance das câmeras, pra fazer coisas que não podem esperar e têm que ser feitas enquanto o elevador se desloca, com a máxima urgência – como retocar o gloss, o batom, arrancar um fio de cabelo branco insolente, pinçar um pelo rebelde da sobrancelha. Assim, os elevadores ganharam o status de ilhas particulares no mar de câmeras espalhadas pelo prédio. E as escadas de serviço, raramente usadas, dispensaram vigilância – outro território livre.
Ah, ia me esquecendo de dizer que no prédio há porteiro. Este ainda não foi substituído por um sistema eletrônico de segurança ultramoderno nem por seguranças – como está na moda. Nesse condomínio, o porteiro é alguém familiar. E, da sua guarita, participa da vida de todos. Ele sabe do jeito de ser de cada morador, da rotina de cada um, do estresse mal-educado de muitos, do habitual mau humor de outros e, de longe, do seu lugar, ele sabe quando a vida de seus patrões não anda muito bem; compreende o consumo de tarja preta no prédio. Porteiro mesmo, de verdade, não entende só de futebol.
Pois ia rolando a festinha: à tarde, de noite e madrugada. O interfone do prestimoso porteiro não parava de tocar: “-Vai lá, fulano, e manda abaixar o som – não aguento mais!” O interfone da guarita tocou 1,2,3 dezenas de vezes, e o porteiro, que era só um porteiro, o que podia fazer? A festinha… bombando. Bota bombando nisso! “-Ah, não, sicrano, assim vou ter que descer e acabar com a farra – dá um jeito aí!” O porteiro levantava-se de sua cadeira, cuidadosamente trancava a porta de vidro da guarita, ia até o salão de festas e pedia pra abaixarem o som. Então, voltava pra guarita. Repetiu este ritual algumas dezenas de vezes – e o que mais ele podia fazer?
A festinha rolando…
Tantas horas da madrugada, uma garota puxa papo com o porteiro e lhe diz que tinha transado nas escadas e, claro, no elevador social e também no de serviço – mais de uma vez. O porteiro, educadamente, sorriu. Entretanto, a garota, com uma leve expressão de contrariedade, queixou-se de não ter podido realizar todas as suas fantasias… O sorriso forçado do porteiro desapareceu. Na guarita espremida, ele percebeu que não tinha saída. Desconfiou que a garota queria que ele lhe emprestasse a guarita. Mas, porteiro que é porteiro não abandona sua guarita.
Constrangido com a indireta da garota, o porteiro não titubeou e chamou o síndico: “-Boa noite Doutor, acho melhor o senhor descer aqui porque tem gente querendo a MINHA guarita pra… É melhor o senhor vir aqui agora mesmo. A festinha bombou!”
O síndico desceu, com a cara que todo síndico tem nessas horas, e encerrou a festa. Deu uma bronca no porteiro por ele ter deixado a garotada ir longe demais. Mas o porteiro era só um simples porteiro…
Mais tarde, calmaria restabelecida, o porteiro na sua guarita, fitando os quindins e brigadeiros confeitados de bolinhas de baunilha e de chocolate arrumados em um pratinho, carinhosamente preparado pra ele pela avó do dono da festa, resmungou: “- Câmeras, sei.”
Há quem diga, no entanto, que esta é mais uma das estórias curiosas do Seu João – porteiro do meu prédio há mais de 25 anos.
__________________________________
Viviane Campos Moreira.
Crônica publicada no Amálgama
OBS.: para reprodução do texto em blogs, sites, portais, favor observar as normas do blog Amálgama. Favor citar os créditos como especificados no Amálgama. O Balaio da Vivi não autoriza a reprodução do texto de forma diversa ao que está regulamentado no Amálgama.
Nesse prédio, como em outros, câmeras foram instaladas na garagem, quadra, hall, pilotis, salão de festas, com exceção dos elevadores, escadas de serviço e guarita. Em reunião de condomínio, os elevadores foram poupados. A maioria dos moradores queria preservar os restos de uma privacidade possível. Imagino que muitas mulheres desejavam, secretamente, guardar um espaço mínino de intimidade, livre do alcance das câmeras, pra fazer coisas que não podem esperar e têm que ser feitas enquanto o elevador se desloca, com a máxima urgência – como retocar o gloss, o batom, arrancar um fio de cabelo branco insolente, pinçar um pelo rebelde da sobrancelha. Assim, os elevadores ganharam o status de ilhas particulares no mar de câmeras espalhadas pelo prédio. E as escadas de serviço, raramente usadas, dispensaram vigilância – outro território livre.
Ah, ia me esquecendo de dizer que no prédio há porteiro. Este ainda não foi substituído por um sistema eletrônico de segurança ultramoderno nem por seguranças – como está na moda. Nesse condomínio, o porteiro é alguém familiar. E, da sua guarita, participa da vida de todos. Ele sabe do jeito de ser de cada morador, da rotina de cada um, do estresse mal-educado de muitos, do habitual mau humor de outros e, de longe, do seu lugar, ele sabe quando a vida de seus patrões não anda muito bem; compreende o consumo de tarja preta no prédio. Porteiro mesmo, de verdade, não entende só de futebol.
Pois ia rolando a festinha: à tarde, de noite e madrugada. O interfone do prestimoso porteiro não parava de tocar: “-Vai lá, fulano, e manda abaixar o som – não aguento mais!” O interfone da guarita tocou 1,2,3 dezenas de vezes, e o porteiro, que era só um porteiro, o que podia fazer? A festinha… bombando. Bota bombando nisso! “-Ah, não, sicrano, assim vou ter que descer e acabar com a farra – dá um jeito aí!” O porteiro levantava-se de sua cadeira, cuidadosamente trancava a porta de vidro da guarita, ia até o salão de festas e pedia pra abaixarem o som. Então, voltava pra guarita. Repetiu este ritual algumas dezenas de vezes – e o que mais ele podia fazer?
A festinha rolando…
Tantas horas da madrugada, uma garota puxa papo com o porteiro e lhe diz que tinha transado nas escadas e, claro, no elevador social e também no de serviço – mais de uma vez. O porteiro, educadamente, sorriu. Entretanto, a garota, com uma leve expressão de contrariedade, queixou-se de não ter podido realizar todas as suas fantasias… O sorriso forçado do porteiro desapareceu. Na guarita espremida, ele percebeu que não tinha saída. Desconfiou que a garota queria que ele lhe emprestasse a guarita. Mas, porteiro que é porteiro não abandona sua guarita.
Constrangido com a indireta da garota, o porteiro não titubeou e chamou o síndico: “-Boa noite Doutor, acho melhor o senhor descer aqui porque tem gente querendo a MINHA guarita pra… É melhor o senhor vir aqui agora mesmo. A festinha bombou!”
O síndico desceu, com a cara que todo síndico tem nessas horas, e encerrou a festa. Deu uma bronca no porteiro por ele ter deixado a garotada ir longe demais. Mas o porteiro era só um simples porteiro…
Mais tarde, calmaria restabelecida, o porteiro na sua guarita, fitando os quindins e brigadeiros confeitados de bolinhas de baunilha e de chocolate arrumados em um pratinho, carinhosamente preparado pra ele pela avó do dono da festa, resmungou: “- Câmeras, sei.”
Há quem diga, no entanto, que esta é mais uma das estórias curiosas do Seu João – porteiro do meu prédio há mais de 25 anos.
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Viviane Campos Moreira.
Crônica publicada no Amálgama
OBS.: para reprodução do texto em blogs, sites, portais, favor observar as normas do blog Amálgama. Favor citar os créditos como especificados no Amálgama. O Balaio da Vivi não autoriza a reprodução do texto de forma diversa ao que está regulamentado no Amálgama.
sábado, 17 de julho de 2010
ROMANCE EM SUPER-8

Marlúcia Temponi*
Foto: Miguel Aun.
bem, mal
você me quer
em um rolo sépia de memórias da Toscana
mal, bem
você me quer
em uma cena púrpura do Almodóvar, mas
não diga o que quer de mim
quero
me encontrar
no tempo das minhas medidas
me perder
em tertúlias da nossa prosa de encantos
por meu senhorio
abjuro:
teço rimas, cânticos e outros contos
me amarre
devagar nos seus chiados
como uma prenda do desejo
desfio versos da sua zanga
sem molde
sou sua rendeira
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Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS
Postado em videbloguinho
* Queima em baixa temperatura.
Catálogo cedido por Liege Mendes.
Mais: RECEITA EM BRANCO DOBRADA AO MEIO.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A trama do amor entre o homem e a mulher
Foto: Danie Maia.
A psicanalista Malvine Zalcberg esteve em Belo Horizonte em março deste ano para uma palestra no Círculo Psicanalítico. Com elegância, delicadeza e simpatia, Malvine tratou de um tema que interessa a homens e mulheres, em linguagem compreensível para quem não é psicanalista. Nem sempre os autores são loquazes ou nem sempre a linguagem do autor na escrita corresponde a da fala. Felizmente, este não é o caso de Malvine, autora de "A relação mãe e filha", "Amor paixão feminina" e "Qu'est-ce qu'une fille attend de sa mère?" ("Que é que uma filha espera de sua mãe?") - lançado neste ano. Na plateia formada por psicanalistas e psicólogos, havia advogados, jornalistas, economistas... e todos acompanharam a palestra com bastante entusiasmo.
Abaixo, uma síntese da palestra revisada por Malvine Zalcberg, que nos adverte no livro "Amor paixão feminina": "Para a mulher, não existe amor mudo."
Malvine falou sobre “Parcerias Amorosas Sintomáticas” e abordou questões sobre a trama de amor entre o homem e a mulher, partindo da premissa que “homens e mulheres não falam a mesma língua”. Embora a “relação sexual não exista”, como disse Lacan, porque homens e mulheres se relacionam com a lógica fálica mais do que entre eles, Malvine esclareceu que há relação com o sexo e ponderou que entre o homem e a mulher existe a contingência do encontro que passa pelo amor.
Malvine se baseou em Freud para explicar a relação do homem e da mulher com o falo. Comentou sobre a interpretação ultrapassada da “inveja do pênis” – as mulheres não invejam o pênis propriamente dito, mas o fato de o homem, em função de possuir no corpo um órgão que lhe dá um substrato para acreditar ter o falo, acaba tendo um representante de seu sexo no inconsciente, que é justamente o falo, e subjetiva seu sexo através de um “eu tenho”. A mulher, como não pode contar com nenhum apoio imaginário na ordem de seu corpo, não constitui um símbolo de feminilidade. Então, o que a mulher inveja no homem é ele ter esse significante masculino. Quando Freud se refere, por outro lado, ao “continente negro da mulher” é porque a mulher é cercada de mistério. A começar pelo fato de ela não possuir um símbolo de feminilidade; ela se torna indefinível em sua identidade: “A falta no corpo inscreve a mulher na falta”. Segundo Malvine, a mulher deve, por isso, constituir uma feminilidade possível a partir do “nada”, porque a mulher subjetiva seu sexo a partir do “eu não tenho”.
Depois de Freud, é Lacan que retoma a forma como homens e mulheres se relacionam com o falo, eles pelo lado do ter e elas, pelo lado do não ter. Há uma diferença fundamental na forma como homens e mulheres se relacionam com o falo: eles ostentam o ter, enaltecem a "propriedade"; são proprietários do falo. Mas este Ter não deixa de custar-lhes um preço. Os homens têm a angústia da castração: o medo de perder o ter. Este não é o medo das mulheres, que não têm nada a perder, supostamente. Contudo, elas precisam camuflar sua falta. "As mulheres vestem Prada" - alguém disse na plateia. De acordo com Lacan, a mascarada é uma forma de a mulher inventar sua feminilidade; de fabricar-se algo com o "nada". Sem dúvida, é de onde se origina a grande criatividade feminina. Em primeiro lugar, a mulher deve se criar ela própria. De menina inventar-se mulher. Na posição de filha, "a mulher deve constituir sua feminilidade a partir da relação com a mãe, com o modo como esta resolveu sua questão feminina". Assim, a mãe tem que ajudar a filha a se constituir enquanto mulher e tem que ajudá-la a se separar dela. A devastação na relação mãe-filha se dá quando a mãe não se separa da filha. Quando a mãe, dentre suas dificuldades em assumir sua posição feminina, mantém a filha presa a ela, não permitindo que a filha se distinga - distinga seu desejo e seu gozo dos de sua mãe - ocorre uma devastação em sua vida. A filha permanece (apenas) filha de sua mãe e não se torna mulher ela mesma.
Quando foi abordada a relação entre o homem e a mulher, Lacan foi citado novamente. Homens e mulheres são marcados por uma falta-a-ser. Ambos vão buscar o que falta – “o objeto precioso”; “um resíduo de gozo” - no outro. O homem tem uma posição fetichista no amor: ele busca o seu objeto de desejo e se interessa por uma parte da mulher. O homem ama uma parte e não o todo – “o que enlouquece as mulheres”, ressaltou Malvine. Na fantasia do homem, a mulher entra como objeto de gozo. O homem procura um objeto, um fetiche pulsional: “o homem tem um modo fetichista de amar”. A mulher, entretanto, é marcada por duas faltas. Uma falta-a-ser como sujeito, igual a do homem, e outra específica como mulher: a falta do significante do sexo. Na fantasia da mulher, o homem ocupa o lugar de mediador para que ela “acesse o ‘outro sexo’ representado por ela”: “o outro sexo do qual nada pode ser dito”. A mulher demanda amor para encobrir sua falta. Busca no homem algo que lhe dê consistência: “me diga quem eu sou”. A mulher exige que o homem fale para dar consistência ao seu ser feminino. Ela precisa do amor para essa mediação com o seu ser. “Ela precisa ser amada para ‘ser’”. Como disse Malvine no encerramento da palestra: “As mulheres querem ser amadas loucamente”. Com humor, acrescentou: “E não precisam vestir Prada”.
Sim, as mulheres queremos o amor, desejamos ser amadas e pedimos aos homens que falem. Tudo bem: insistimos. Solicitamos a palavra, o olhar do outro. Pelo amor, formamos o nosso ser feminino. Buscamos compor nossa feminilidade com as ressonâncias do desejo do outro: o outro que amamos e desejamos. A linguagem, o amor e o desejo do outro nos constituem. Na trilha do amor, desejamos o encontro com o outro que nos faz mulheres. Ainda que os homens nem sempre busquem o amor, eles também precisam do encontro amoroso para se tornarem homens bem resolvidos no afeto e na alteridade. Se seremos felizes ou não, este é um outro papo que passa pela Arte, sobretudo em saber fazer arte com o amor que nos é dado e com o que não nos é dado, pois “amar é dar o que não se tem” (Lacan).
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Viviane Campos Moreira.
Palestra de Malvine Zalcberg realizada no Círculo Psicanalítico de Minas Gerais em 5/3/2010.
Texto revisado por Malvine Zalcberg.
Para acessar o site da Malvine, clique no link, no texto, sob Malvine Zalcberg.
Para reprodução, favor seguir as instruções do videbloguinho
quarta-feira, 7 de julho de 2010
RECEITA EM BRANCO DOBRADA AO MEIO

Beth Cavalcanti*
Foto: Miguel Aun.
de onde vem
o amor que me assalta
entre ternuras contidas e cuidados medidos?
um amor prematuro em demasia
na face de um homem ruborizado
com a cantiga dos sentidos
para onde me leva esse amor
banhado em delicadeza
mas vestido com a vergonha de sua luminosa nudez?
o que me espera na grafia azul
da folha cinza do receituário
que ele assina?
a intimidade floresce entre carícias roubadas
na linguagem da mão que me toca
suavemente em um místico engano
a vigilância queda no desejo antecipado
ao homem, em despedida do menino
rendido à saudade de um encanto
um fulgor dourado resplandece no castanho dos olhos
em um certo dia e não em outro qualquer
subitamente
a revelar o desconcerto de um desejo
em verbo ainda não dito
mas pressentido
bendito?
maldito?
bem-vindo
____________________________________________
Viviane Campos Moreira em AMOR EM PEDAÇOS & VERSOS
Postado em videbloguinho
*Raku. Catálogo cedido por Liege Mendes.
Mais: AMOR EM FUGA.
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