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Podemos listar mil e uma razões
para dizer foratemer em casa, na rua,
na TV, nas rádios, no cinema, no teatro, em shows e nas redes sociais. Podemos até não listar razão
alguma. Podemos simplesmente dizer foratemer porque queremos. Sem tantas
explicações, foratemer. Ou podemos dizer foratemer no lugar de bom dia. Talvez
o foratemer já tenha se tornado o
melhor bom-dia do momento. Podemos também dizer foratemer por falta de razão para não
dizer foratemer. Por que não dizer foratemer? Não há razão para não dizer,
então dizemos: foratemer. E quando nos despedimos dos
amigos, também dizemos:
- Até mais. Beijinhos e foratemer.
Primeiramente, segundamente e nas
despedidas, foratemer. Entre um
brinde e outro, foratemer! Em muitas
ocasiões, tem sido assim. Estamos na moda do foratemer. Ou o foratemer seria mais uma mania? Ou só um
tique nervoso?
foratemer no café da manhã, no almoço, no jantar e nas mesas de
bar. Assim tem sido. Inelutável. E embora esta palavra tenha luta dentro dela
não significa que a luta não possa ser em vão, ainda que inevitável. De todo
modo, foratemer já está na língua –
não há como evitar essas duas palavras em uma.
Fora! equivale-se a uma
ordem: dê o fora. Saia. Caia fora. Vaza: um verbo que não deixa dúvida alguma a
partir do gesto de quem manda vazar. Fora (vaza), todo mundo entende. Fora é, portanto, verbo sub-rogado.
Temer, outro verbo: eu temo, tu
temes, ele teme e nós... tememos. Todos tememos, inclusive, o verbo no
infinitivo. Por estarmos cansados dele – pode ser. Por muito tempo, temos
temido. Tememos e tememos o amanhã, o agora, e o ontem não o conhecemos bem
porque não conseguimos ainda compreendê-lo para além das imagens que fazemos
dele ou que permitimos que façam. Tem sido assim. Há tempos.
Mas quando dizemos, com tanto
humor, foratemer, talvez queiramos espantar
o medo pela fala. Estamos cansados de temer: caia fora, medo. Assim, podemos
trazer para fora o medo. Talvez não queiramos mais o medo nos nossos corpos
políticos – vai saber?
Não somos revolucionários e
sabemos disso. O corpo político do rei foi destronado na Revolução de 1789 pelos
franceses que continuam levando seus corpos políticos para a rua. Os revolucionários
franceses escreveram capítulos inéditos na história. Nós nos acostumamos com as mudanças que recebemos.
Tem sido assim. E não foi
diferente agora. foratemer, ainda que
seja uma rebelião mais do amor que do ódio, ou mesmo que seja uma explosão de amorhumor, pode não representar nada, em
termos de mudança. Talvez fique como uma frase para espantar o medo dos
nossos velhos corpos políticos não revolucionários. Isola – três vezes na
madeira!
De onde virá a transformação na
política, ainda não sabemos. Enquanto isso, fora verbo temer. Afinal, pode-se dizer foratemer por motivos que nem mereçam
explicação.
- Ah, eu digo foratemer porque sim. Claro que há
motivo. É isso: foratemer.
Entendemos.
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